Excesso de sódio pode afetar o coração mesmo com pressão controlada
Estudo do InCor com 453 pacientes associa maior consumo de sódio a alterações metabólicas e estruturais no coração
Reduzir o sal na alimentação é uma recomendação comum para quem precisa controlar a pressão arterial. No entanto, um estudo realizado pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InCor-HCFMUSP) revela que o impacto do sódio pode ir além do aumento da pressão. Entre pacientes com hipertensão de difícil controle, o maior consumo de sódio esteve associado a alterações metabólicas e estruturais no coração.
A pesquisa acompanhou 453 pacientes por cerca de seis anos e foi apresentada no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC). Os participantes tinham hipertensão aparentemente resistente ao tratamento, condição em que a pressão arterial permanece difícil de controlar mesmo com o uso de medicamentos.
Principais achados
O consumo diário de sódio foi estimado pela quantidade eliminada na urina em 24 horas. A média encontrada foi de 10,7 gramas por dia, enquanto apenas 19,2% dos participantes consumiam menos de 5 gramas diárias, valor recomendado pela Organização Mundial da Saúde.
Entre os pacientes que consumiam mais de 13,5 gramas de sódio por dia, os pesquisadores observaram:
- maior peso e índice de massa corporal (IMC);
- níveis elevados de triglicerídeos;
- sinais de aumento do tamanho do coração;
- maior diâmetro do ventrículo esquerdo, principal responsável por bombear o sangue para o corpo.
Essas associações ocorreram mesmo sem diferenças significativas na pressão arterial ou na quantidade de medicamentos anti-hipertensivos utilizados pelos pacientes. Isso indica que o consumo elevado de sódio pode afetar o organismo e o coração independentemente do controle da pressão arterial.
Associação não implica causalidade
Como o estudo analisou dados já existentes, os resultados indicam uma associação entre alto consumo de sódio e alterações metabólicas e cardíacas, mas não permitem afirmar que o sódio seja a causa direta dessas mudanças. Ainda assim, os achados reforçam a importância de reduzir fatores de risco modificáveis para doenças cardiovasculares.
“Quando falamos em hipertensão de difícil controle, é importante olhar para o paciente de forma ampla e não apenas para o número da pressão arterial. O consumo de sódio é um dos fatores que precisam ser considerados porque seus efeitos podem ultrapassar o aumento da pressão e estar relacionados a alterações metabólicas e ao comprometimento da estrutura do coração”, destaca o Prof. Dr. Luiz Aparecido Bortolotto, diretor da Unidade de Hipertensão Arterial do InCor e responsável pela pesquisa.
Prevenção no cotidiano
Os resultados foram divulgados no contexto do Setembro Vermelho, campanha do InCor dedicada à prevenção das doenças cardiovasculares. Entre as recomendações estão manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, não fumar, medir a pressão arterial regularmente e realizar acompanhamento médico.
Para pessoas com hipertensão ou dificuldade no controle da pressão, mudanças na alimentação devem ser discutidas com profissionais de saúde. O acompanhamento individualizado é fundamental para avaliar medicamentos, hábitos e outros fatores que influenciam o risco cardiovascular.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



