Biópsia de mama menos invasiva reduz tempo de recuperação e custos hospitalares

Estudo com 1.833 pacientes do SUS compara mamotomia e biópsia cirúrgica, destacando benefícios clínicos e econômicos

Um estudo brasileiro envolvendo 1.833 pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) avaliou a eficiência da biópsia assistida a vácuo, também conhecida como mamotomia, em comparação à biópsia cirúrgica para o diagnóstico de lesões mamárias suspeitas. A pesquisa, conduzida no Hospital da Mulher (antigo Hospital Pérola Byington) entre 2020 e 2023, indicou que a mamotomia é menos invasiva, permite uma recuperação mais rápida e reduz os custos hospitalares.

Procedimentos comparados

A biópsia assistida a vácuo utiliza uma agulha para retirar fragmentos da lesão por aspiração, com auxílio de ultrassom ou estereotaxia, sob anestesia local e geralmente em regime ambulatorial. O material coletado é analisado por patologistas para identificar a presença de células cancerígenas.

Por outro lado, a biópsia cirúrgica é realizada em centro cirúrgico, sob anestesia geral, com remoção completa da lesão. Esse procedimento costuma exigir internação hospitalar de curta duração e um período maior de recuperação.

Resultados clínicos e recuperação

Das pacientes avaliadas, 1.248 (68,1%) foram submetidas à mamotomia, enquanto 585 (31,9%) passaram pela biópsia cirúrgica. Os resultados histopatológicos foram semelhantes entre os grupos, com lesões benignas detectadas em 66,4% das mamotomias e 66,7% das biópsias cirúrgicas, além de lesões precursoras, carcinoma ductal in situ e carcinoma invasivo.

O tempo médio para retorno às atividades foi de aproximadamente dois dias após a mamotomia, em contraste com 14 dias para a biópsia cirúrgica, evidenciando a menor invasividade do procedimento assistido a vácuo.

Impacto econômico no SUS

Considerando a perspectiva hospitalar, o custo médio ponderado por paciente foi de US$ 268,41 para a mamotomia, frente a US$ 491,89 para a biópsia cirúrgica. Embora o reembolso inicial da mamotomia seja mais elevado, o estudo avaliou também os custos para o sistema público e para a sociedade, incluindo perdas de produtividade e tempo de recuperação.

Modelagens de cenários de adoção da mamotomia indicaram que o investimento em equipamentos (entre US$ 80 mil e US$ 120 mil por unidade) e treinamento poderia ser compensado em 12 a 18 meses em centros de alto volume, tornando a tecnologia viável para hospitais de referência na rede pública.

Conclusões e recomendações

Coordenado pela mastologista Andressa Gonçalves Amorim e com participação da Sociedade Brasileira de Mastologia, o estudo publicado na revista Clinical Breast Cancer conclui que a biópsia assistida a vácuo é uma abordagem diagnóstica valiosa, que oferece benefícios institucionais e sociais por meio da redução da demanda cirúrgica, tempos de recuperação mais curtos e menores perdas de produtividade.

Os autores destacam a necessidade de políticas de reembolso que reflitam o cuidado baseado em valor e a eficiência sistêmica no diagnóstico do câncer de mama na rede pública de saúde.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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