Por que incentivar meninas amplia a presença feminina na ciência

Dados do MCTI mostram queda da participação feminina na carreira acadêmica; formação desde cedo pode ajudar a mudar esse cenário.

As mulheres já são maioria entre estudantes de pós-graduação no Brasil, mas ainda ocupam menos espaço conforme avançam na carreira científica. Dados apresentados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) mostram que elas representam 57% dos estudantes de pós-graduação, mas correspondem a 43% dos docentes e a 35% dos bolsistas de produtividade em pesquisa do CNPq.

Entre os pesquisadores no nível mais alto da bolsa, o PQ-1A, a participação feminina chega a apenas 23%. A diferença é conhecida como “efeito tesoura” e revela que o desafio não está somente em garantir o acesso das mulheres à universidade, mas também em criar condições para que elas permaneçam e avancem.

O que afasta mulheres da liderança científica

A trajetória acadêmica pode ser impactada pela divisão das responsabilidades de cuidado, pela falta de apoio e por estereótipos associados às áreas de atuação. Em campos de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, conhecidos pela sigla STEM, a presença feminina continua especialmente reduzida.

Esse cenário ajuda a explicar por que o incentivo precisa começar antes da escolha profissional. Para a Afesu, organização que atua na formação de meninas e mulheres, oferecer apoio escolar, referências e contato com diferentes áreas do conhecimento pode ampliar o repertório e as possibilidades de futuro.

A instituição mantém projetos gratuitos para meninas e jovens de 7 a 25 anos, com atividades de apoio escolar, iniciação profissional e cursos técnicos. A proposta combina conhecimento técnico, desenvolvimento socioemocional, acompanhamento individual e participação das famílias.

Formação pode abrir caminhos além da escola

De acordo com o relatório de atividades de 2025 da Afesu, 90% das ex-beneficiárias continuam estudando e 42% já estão inseridas no mercado de trabalho. O documento também aponta que 80% relatam alto desenvolvimento de competências socioemocionais e que 93% apresentaram melhora no desempenho escolar.

Entre as famílias, 91% perceberam avanços no convívio familiar. Os indicadores são apresentados pela organização como sinais de que os efeitos da formação podem continuar depois do encerramento dos projetos.

As iniciativas incluem cursos ligados a tecnologia, gestão e formação profissional, como Tecnologia Básica com Energias Renováveis, Desenvolvimento Web e Gestão e Tecnologia Aplicada (GTA). Os dois últimos são realizados em parceria com o SENAI.

“Quando falamos sobre a presença das mulheres em espaços de liderança, é importante olhar para toda a trajetória que vem antes disso. Os resultados que acompanhamos mostram que a formação pode abrir caminhos que continuam sendo construídos depois que as meninas deixam a instituição. Nosso papel é oferecer conhecimento, referências e ferramentas para que elas tenham mais possibilidades de escolha para o futuro”, afirma Sônia de Almeida, diretora executiva da Afesu.

Ampliar a presença feminina na ciência, portanto, envolve mais do que aumentar o número de mulheres na universidade. Também significa apoiar a permanência nos estudos, combater estereótipos e garantir que meninas conheçam diferentes caminhos acadêmicos e profissionais antes de precisarem escolher um só.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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