Menor consumo de açúcar na infância pode reduzir risco de Alzheimer
Estudo de 2026 associa menor ingestão de açúcar nos primeiros anos a redução significativa do risco de demência e Alzheimer na velhice
O cuidado com a saúde cerebral deve começar desde os primeiros anos de vida, período crucial para o desenvolvimento do cérebro. Um estudo publicado em julho de 2026 na revista científica npj Aging revelou que indivíduos com menor consumo de açúcar na infância apresentaram um risco 27% menor de desenvolver demência por qualquer causa e 46% menor de desenvolver especificamente a doença de Alzheimer na terceira idade.
Embora o açúcar não seja o único fator determinante para o surgimento da doença, a pesquisa reforça a importância de estabelecer hábitos alimentares saudáveis desde cedo, em uma fase marcada por intensa formação e organização cerebral.
Importância dos primeiros anos de vida
Segundo o neuropediatra Dr. Gilberto de Brito Henriques, da Afya Educação Médica Belo Horizonte, os primeiros anos concentram um processo intenso de desenvolvimento cerebral, com a formação de funções como visão, audição e movimentos voluntários, além da criação de novas sinapses e produção de neurônios.
“Para que esse processo ocorra adequadamente, são essenciais uma boa saúde biológica, estímulos adequados e um substrato nutricional e anatômico apropriado”, explica o especialista. A ausência ou inadequação de qualquer desses elementos pode prejudicar o desenvolvimento cerebral da criança.
Exposição precoce ao açúcar na alimentação infantil
Dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI) indicam que cerca de 70% dos bebês entre 6 e 23 meses já foram expostos ao açúcar, percentual que sobe para 87% entre crianças de 2 a 5 anos.
O Dr. Henriques destaca que a Sociedade Americana de Pediatria recomenda não oferecer açúcar a crianças até os dois anos de idade, enquanto a Sociedade Brasileira de Pediatria sugere um limite diário de 25 gramas para crianças entre 2 e 14 anos.
Na prática, o ideal é reduzir o consumo de doces, balas, refrigerantes e açúcar adicionado a sucos, priorizando os açúcares naturalmente presentes nos alimentos. “Mais do que uma preocupação pontual, trata-se de construir um hábito de vida saudável desde a infância”, reforça o neuropediatra.
Prevenção ampla e contínua
De acordo com o Relatório Nacional sobre a Demência do Ministério da Saúde, entre 1,5 milhão e 2 milhões de brasileiros convivem com algum tipo de demência, sendo o Alzheimer responsável por 50% a 70% dos casos. A projeção é que até 2050 cerca de 5,6 milhões de pessoas no país possam ser afetadas pela doença.
O neurologista Dr. Marcelo José da Silva de Magalhães, da Afya Montes Claros, explica que o Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva, geralmente diagnosticada a partir dos 65 anos, e que sua origem envolve fatores genéticos, biológicos e ambientais.
Entre os fatores que aumentam o risco ou contribuem para o declínio cognitivo estão inatividade física, hipertensão, diabetes mal controladas, obesidade, alimentação inadequada, consumo excessivo de álcool, isolamento social, perda auditiva não corrigida, baixa escolaridade e traumatismo craniano.
Para a prevenção, o especialista recomenda estimular desde a infância hábitos como leitura, prática musical, aprendizado de idiomas, atividades intelectuais, exercícios físicos e manutenção de uma boa rede de amizades. Ele ressalta ainda o papel dos adultos como modelos para as crianças, pois hábitos saudáveis observados em casa podem contribuir para a construção de um estilo de vida saudável ao longo da vida.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



