Ejaculação precoce: o silêncio que pesa nos relacionamentos

Pesquisa com mais de 3 mil homens revela ansiedade e medo de decepcionar como barreiras para o diálogo

A ejaculação precoce é uma experiência comum entre os homens, mas ainda é pouco discutida nos relacionamentos. Uma pesquisa realizada pelo Sexlog, maior rede social de sexo e swing da América Latina, com mais de 3 mil respondentes, revelou que 84% dos homens já passaram por ao menos um episódio em que ejacularam mais rápido do que gostariam.

Apesar da alta incidência, 48,5% dos entrevistados afirmaram nunca ter conversado com a parceira sobre o assunto. O levantamento também mostrou que 84,9% dos participantes percebem algum nível de preconceito em falar sobre ejaculação precoce, o que dificulta o diálogo, a busca por informação e o acesso a tratamentos.

Ansiedade como principal fator associado

Entre os participantes, 48,4% indicaram a ansiedade como a principal causa da ejaculação precoce. Quando somados aqueles que relacionam o problema a questões emocionais, o percentual chega a 62%. Segundo a especialista em saúde sexual Sanny Rodrigues, o silêncio em torno do tema pode alimentar um ciclo negativo: “Se o homem tem uma experiência ruim, fica com medo de acontecer novamente, entra mais ansioso na próxima relação e essa ansiedade interfere ainda mais na resposta sexual. O sexo, que deveria ser uma experiência de prazer, começa a virar uma prova!”

Entre os que buscaram soluções, 37,1% recorreram a técnicas comportamentais, como a técnica start-stop, que consiste em reconhecer os sinais de excitação, interromper ou reduzir a estimulação antes da ejaculação e retomar a atividade quando a excitação diminui. Outra estratégia envolve trabalhar a percepção das sensações corporais para identificar melhor as mudanças durante a excitação.

Medo de decepcionar supera frustração pessoal

O impacto emocional da ejaculação precoce também foi avaliado. Metade dos respondentes (50,5%) indicou que o principal receio é decepcionar o parceiro ou a parceira, enquanto 27,4% citaram a frustração consigo mesmos. Apesar disso, apenas 16,3% relataram já ter evitado iniciar uma relação sexual por causa do problema, sugerindo que a insegurança e a autoestima são afetadas, mas a frequência sexual não necessariamente diminui.

Disposição para buscar ajuda ainda enfrenta barreiras

Embora 88% dos entrevistados afirmem que procurariam ajuda profissional se enfrentassem o problema, 40,4% nunca buscaram qualquer tipo de apoio. Para Sanny Rodrigues, essa distância entre intenção e ação reflete o estigma masculino em torno da sexualidade: “O homem pode passar meses ou até anos evitando procurar ajuda porque acredita que admitir a dificuldade significa admitir uma espécie de fracasso e isso não é verdade. Afinal, sexualidade também é saúde.”

Dentro do relacionamento, a especialista sugere que uma abordagem acolhedora pode facilitar a conversa: “Percebi que isso parece estar te incomodando. Podemos conversar e, se você quiser, procurar ajuda?”. O diálogo pode ajudar a tirar o sexo do lugar de cobrança e aproximá-lo da comunicação, do prazer e da intimidade, embora não substitua a avaliação profissional.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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