Música melhora atenção e maturidade social em crianças, revela estudo

Pesquisa com alunos do Projeto Guri destaca benefícios cognitivos e sociais da prática musical

Aprender a tocar um instrumento pode trazer benefícios que vão além do desenvolvimento artístico. Um estudo coordenado pela musicista e pesquisadora Graziela Bortz, professora do Instituto de Artes da Unesp, identificou que crianças envolvidas em aulas de música apresentaram melhor desempenho em certos tipos de atenção, especialmente atenção alternada, além de níveis ligeiramente maiores de maturidade social.

A pesquisa foi realizada com participantes do Projeto Guri, programa estadual de educação musical. O grupo avaliado incluiu 37 crianças de 5 a 8 anos, residentes em comunidades carentes de São Paulo, que frequentaram aulas uma vez por semana durante sete meses. Os resultados foram comparados com dados de 61 crianças da mesma localidade, com idades entre 6 e 7 anos.

Melhorias na atenção e maturidade social

Segundo Bortz, o grupo que estudava música apresentou melhor desempenho em tarefas relacionadas à atenção alternada, que é a capacidade de alternar o foco entre diferentes tarefas ou estímulos. Além disso, os jovens músicos demonstraram um nível um pouco maior de maturidade social.

O estudo combinou questionários, entrevistas e exames de ressonância magnética para avaliar se as diferenças observadas eram resultado do treinamento musical ou de predisposições anteriores. Os resultados foram publicados na revista PLOS One.

Prática musical e o cérebro

A pesquisa destaca que tocar um instrumento envolve o cérebro de forma diferente de apenas ouvir música. Estudos anteriores associaram a prática musical ao aumento dos níveis de dopamina, neurotransmissor relacionado ao prazer, motivação, movimento e sistema de recompensa, promovendo relaxamento após a prática.

Durante a pandemia de covid-19, Bortz observou que a música pode ter funcionado como um “remédio para a solidão”, o que motivou uma nova fase da pesquisa com foco ampliado na saúde mental.

Nova etapa com 4 mil jovens

O Centro Interdisciplinar para o Desenvolvimento da Pesquisa em Música (CiDPMus), criado em 2025 com apoio da Fapesp e sediado no Instituto de Artes da Unesp, coordena a nova fase do estudo.

Esta etapa envolverá 4 mil adolescentes e jovens, entre 13 e 28 anos, matriculados em programas como o Projeto Guri e a Escola de Música do Estado de São Paulo (Emesp Tom Jobim). Os participantes serão acompanhados por três anos em cidades do interior paulista e na capital.

O estudo contará com a participação de psicólogos, estatísticos, neurologistas e psiquiatras, e parte dos voluntários realizará exames de ressonância magnética. Está previsto que, neste semestre, o CiDPMus inicie testes para medir a exposição musical dos participantes.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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