Centro em SP quase dobra preservação do olho em crianças com retinoblastoma

Estudo com 260 crianças destaca avanços no tratamento e importância do diagnóstico precoce para a sobrevida

O Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde, localizado na Zona Leste de São Paulo, quase dobrou a taxa de preservação do olho em crianças com retinoblastoma, passando de 35% para 60,1% dos casos após se consolidar como centro de referência no tratamento da doença. Esses dados são resultado de um estudo que acompanhou 260 crianças atendidas entre 2001 e 2018, com apoio da TUCCA (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer).

O levantamento integra a tese de doutorado do oncologista pediátrico Sidnei Epelman, diretor do Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde e fundador e presidente da TUCCA. Além do aumento na preservação do olho, o estudo registrou uma queda significativa na enucleação — cirurgia para remoção do olho — que caiu de 69,1% para 38,9% dos casos no mesmo período.

Impacto do diagnóstico precoce

O estudo também apontou uma redução na proporção de crianças que chegaram ao centro com a doença já fora do olho (extraocular), que recuou de 20,6% para 9,7% entre os períodos de 2001 a 2012 e 2013 a 2018. Essa mudança reflete a importância do diagnóstico precoce para o sucesso do tratamento.

Os dados de sobrevida reforçam essa conclusão: a taxa de sobrevida em cinco anos foi de 96% para crianças tratadas quando o tumor ainda estava restrito ao olho, enquanto caiu para 48,9% quando a doença já havia se espalhado. A sobrevida geral da coorte, considerando todos os estágios, foi de 87%.

“Quando olhamos para esses dois números, 96% e 48,9%, fica muito claro que o tempo importa. A diferença não está apenas no tratamento que a criança recebe, mas no estágio em que ela consegue chegar ao centro de referência”, destaca Sidnei Epelman.

Sinais de alerta e desafios no diagnóstico

O retinoblastoma é o tumor maligno intraocular mais comum na infância, representando entre 2,5% e 4% dos cânceres pediátricos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), 95% dos casos são diagnosticados até os 5 anos de idade, período em que a criança muitas vezes não consegue comunicar problemas de visão.

Na coorte estudada, o sinal mais frequente foi a leucocoria, ou reflexo branco na pupila, presente em 75,4% dos casos. Esse sinal pode ser percebido pela família, frequentemente em fotografias com flash.

O estudo também revelou que um atraso de 2,5 meses ou mais entre o aparecimento do primeiro sinal e o diagnóstico mais que dobrou a chance de a doença estar fora do olho. Para o médico, esse atraso não deve ser atribuído à família, mas sim às barreiras de acesso ao diagnóstico e tratamento especializado.

“Não podemos transformar o atraso no diagnóstico em uma responsabilidade da família. Muitas vezes, os pais percebem que há algo diferente, mas enfrentam uma sequência de barreiras até chegar ao diagnóstico correto. O que precisamos discutir é como reduzir esse tempo e garantir que toda criança, independentemente de onde nasceu ou mora, tenha acesso rápido a um centro preparado para diagnosticar e tratar o retinoblastoma”, conclui Sidnei Epelman.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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