André Giusti estreia no romance abordando saúde mental masculina
Em "Só vale a pena se houver encanto", o autor explora crise existencial, perdas e terapia através da trajetória de um jornalista
Em meio à campanha do Setembro Amarelo, que destaca a prevenção ao suicídio e a valorização da vida, o romance Só vale a pena se houver encanto traz à tona a saúde mental masculina. Esta é a estreia de André Giusti no gênero romance, com uma narrativa que acompanha Alessandro Romani, jornalista e escritor carioca radicado em Brasília, enfrentando uma série de perdas e crises pessoais.
Publicado pela editora Caos e Letras, o livro tem 368 páginas e foi escrito ao longo de onze anos. A trama se desenrola em meio a eventos marcantes da política brasileira, como as manifestações de 2013 e a ascensão e queda da primeira presidenta do país, enquanto Alessandro lida com desemprego, separação e a morte de entes queridos.
Crise existencial e busca por sentido
Alessandro se recusa a aceitar a vida como uma mera sucessão de obrigações e contas a pagar. Pai de três filhas, divorciado e enfrentando os primeiros sinais do envelhecimento, ele reflete sobre paternidade, precariedade do jornalismo, virilidade e as expectativas que permeiam sua geração.
A terapia surge como um espaço fundamental para o enfrentamento de suas dores e frustrações. O romance destaca a importância de reconhecer que a dor, a decepção, a derrota, o abandono, a frustração, o fracasso e as perdas são parte integrante da vida, e não fatos secundários. Além disso, a obra aborda a dificuldade que muitos homens têm em expressar suas fragilidades e estabelecer diálogos sinceros entre si.
André Giusti ressalta: “A gente precisa entender que a dor, a decepção, a derrota, o abandono, a frustração, o fracasso e as perdas fazem parte da vida. A gente trata tudo isso como um fato extracampo, mas não é.”
Entre autoficção, memória e invenção
Com uma prosa coloquial e imagens poéticas pontuais, o romance se aproxima da autoficção ao misturar experiências reais, invenção e memória. O autor explica que o personagem Alessandro Romani foi criado a partir de sua própria experiência, mas também incorpora elementos de outras pessoas, reais ou fictícias.
Giusti comenta: “Alessandro Romani foi criado a partir da minha costela, certamente, mas ele sou eu e mais tantas pessoas verdadeiras ou fictícias. Se é autoficção que chamam, tudo bem.”
A orelha do livro, assinada por Stella Maris Rezende, destaca as contradições do protagonista e sua busca por uma vida com significado. A obra também recebeu elogios de Sérgio Tavares, que a define como um mergulho no devir masculino, e de Débora Ferraz, que relaciona o tom do narrador ao de Notas do subsolo, de Fiódor Dostoiévski.
Trajetória entre jornalismo e literatura
André Giusti nasceu no Rio de Janeiro e vive em Brasília desde os trinta anos. Sua carreira jornalística inclui passagens por importantes veículos como Sistema Globo de Rádio, Grupo Bandeirantes, Fundação Roquette Pinto e Rádio e TV Justiça. Atualmente, é assessor de imprensa do Senado Federal e repórter freelancer do #Colabora.
Na literatura, Giusti foi finalista do Prêmio Jabuti em 1997 com Voando Pela Noite, Até de Manhã e semifinalista do Prêmio Oceanos 2024 com As Filhas Moravam Com Ele. Só vale a pena se houver encanto é seu 11º livro e marca sua estreia no romance. Sua escrita é influenciada pela musicalidade do rock e do blues, além de autores como Fernando Sabino, Lygia Fagundes Telles, John Fante e Charles Bukowski.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



