TikTok influencia escolhas alimentares de adolescentes, revela estudo

Pesquisa qualitativa destaca trends, anúncios e influenciadores como estímulos para interesse em alimentos

O TikTok tem se tornado uma ferramenta significativa na forma como adolescentes se relacionam com a alimentação. Um estudo qualitativo publicado em 2026 no Journal of Nutrition Education and Behavior ouviu 25 jovens de 15 e 16 anos, identificando que trends, anúncios, comentários e recomendações de influenciadores na plataforma despertam o interesse por determinados alimentos.

Os relatos dos participantes revelam uma relação complexa com o conteúdo consumido. Alguns afirmaram ter alterado aspectos da própria alimentação após acompanhar influenciadores e seus estilos de vida, enquanto outros utilizam o TikTok para buscar receitas, aprender novos preparos e conhecer opções que consideram mais saudáveis.

Conteúdos do feed e escolhas fora da tela

No Brasil, o contato com conteúdos relacionados à gastronomia no TikTok é frequente. Uma pesquisa do Opinion Box, realizada em 2026 com 1.066 usuários da plataforma, indicou que 49% utilizam o TikTok para descobrir novidades e 34% acompanham conteúdos de gastronomia e receitas. Além disso, 66% dos entrevistados seguem criadores de conteúdo, e 53% já adquiriram produtos indicados por influenciadores ou outros usuários.

Embora esses dados não sejam específicos para adolescentes, o estudo qualitativo sugere que o conteúdo do feed pode influenciar as escolhas alimentares dos jovens, despertando curiosidade e motivando conversas e experimentações fora da tela.

Diálogo e questionamento como ferramentas

Para Andressa Meira, nutricionista da Merendô!, marca da Polpa Brasil focada em alimentação escolar, tentar controlar tudo o que o adolescente vê nas redes sociais não é uma estratégia realista. Ela destaca que o diálogo é fundamental para ajudar os jovens a desenvolverem critérios próprios. “Os pais não vão conseguir controlar tudo o que o adolescente vê nas redes sociais. O mais importante é conversar sobre aquilo que aparece. Quem está recomendando? Por que está recomendando? Existe uma publicidade por trás? Essas perguntas ajudam o jovem a construir critérios próprios”, explica.

Quando um adolescente demonstra interesse por um alimento visto no TikTok, a família pode aproveitar o momento para discutir a origem da informação, o que foi destacado e se há uma intenção comercial envolvida, transformando a situação em uma oportunidade de aprendizado em vez de proibição.

O olhar crítico também se aplica às embalagens

Além das redes sociais, a atenção aos estímulos visuais deve se estender às embalagens dos alimentos. Uma pesquisa do Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA) analisou 30 alimentos ultraprocessados voltados principalmente ao público infantil. Todos apresentavam personagens ou elementos visuais direcionados às crianças, e 53% traziam alegações nutricionais nas embalagens.

Quanto à composição, 67% dos produtos apresentavam excesso de açúcares totais, 13% de gordura saturada e 10% de sódio. Em 33% das embalagens, não foi encontrada a rotulagem nutricional frontal obrigatória.

Andressa Meira reforça que observar a lista de ingredientes, a tabela nutricional e a forma como a informação é apresentada ajuda os adolescentes a desenvolverem autonomia para fazer escolhas conscientes. Ela destaca que tanto a família quanto a escola podem contribuir criando espaços para conversar sobre escolhas alimentares, publicidade e receitas, sem transformar cada descoberta em uma disputa.

O papel da escola na construção de referências

A escola também desempenha um papel importante na relação dos jovens com a alimentação, oferecendo contato com alimentos, sabores e preparações diferentes dos habituais no ambiente familiar. Segundo a nutricionista, a alimentação escolar pode ser uma oportunidade para diálogo e descoberta, ajudando os estudantes a desenvolverem referências próprias sobre o tema.

Entre o conteúdo que aparece no feed do TikTok e o produto encontrado na prateleira, ensinar crianças e adolescentes a questionar quem está falando, o que está sendo destacado e se há interesses comerciais por trás das mensagens pode ser um passo importante para que façam escolhas alimentares com mais autonomia.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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