Mulher de prazer resgata história de mulheres no Japão

Romance de Kiyoko Murata acompanha jovem vendida a um bordel e aborda sobrevivência, educação e resistência

Em Mulher de prazer, romance da escritora japonesa Kiyoko Murata, acompanhamos a história de Ichi Aoi, uma jovem de 15 anos que é vendida pelos próprios pais para um bordel de prestígio no distrito de Kumamoto, na ilha de Kyushu, Japão, no início do século XX. A prática, comum entre famílias em situação de pobreza extrema, lança Ichi em um universo regido por sexo, dinheiro e relações de poder.

Originária da vila de pescadores de Iojima, na antiga província de Satsuma, Ichi precisa aprender as regras desse novo mundo na casa de prazer Shinonome, onde é iniciada para a vida como cortesã. A narrativa sensível e tocante de Murata desfia as múltiplas camadas da condição feminina em uma sociedade que naturalizava a exploração sexual de meninas adolescentes.

Sobrevivência, educação e resistência

Apesar do tema delicado, o romance evita o melodrama, destacando a inocência, a força e a rebeldia de Ichi, além das complexas relações com outras mulheres do bordel. Entre elas, destaca-se Tetsuko, professora da Escola das Mulheres do Ofício, que, com sua determinação silenciosa, busca desafiar a estrutura machista do distrito ensinando que a educação é uma chave para a autonomia, mesmo em um ambiente opressor.

As lições de Tetsuko fomentam a união entre as trabalhadoras, que culmina em um ato de ousadia e resistência. Mulher de prazer celebra a capacidade humana de preservar a dignidade, criar vínculos e transformar a dor em força, mesmo nos contextos mais adversos.

A autora e sua trajetória

Kiyoko Murata nasceu em 1945, em Yahata, província de Fukuoka. Iniciou sua carreira literária em 1977 com o conto “Suichu no koe” (Voz sob a água), premiado no Festival de Arte de Kyushu. Em 1987, recebeu o Prêmio Akutagawa por Nabe no naka (No caldeirão), obra que inspirou o filme Rapsódia em agosto, dirigido por Akira Kurosawa.

Ao longo da carreira, Murata conquistou ainda o Prêmio Yasunari Kawabata (1998), o Prêmio Noma (2010) e, em 2014, o Prêmio Yomiuri por Mulher de prazer. Reconhecida por sua contribuição à literatura, foi agraciada com a Medalha da Fita Púrpura, a Ordem do Sol Nascente e, em 2017, tornou-se membro da Academia de Artes do Japão.

Lançamento no Brasil

A edição brasileira de Mulher de prazer será lançada em 13 de outubro de 2026, com 320 páginas no formato 14 x 21 cm, traduzida por Karen Kazue Kawana. O romance oferece um olhar profundo sobre as formas de resistência e solidariedade entre mulheres em um cenário de opressão e exploração.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

👁️ 24 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar