Consumismo e saúde mental: 5 formas de quebrar o ciclo
Pesquisa da Serasa relaciona problemas financeiros ao bem-estar emocional; especialistas explicam como reduzir compras impulsivas no dia a dia.
Comprar para aliviar a ansiedade, o tédio ou a frustração pode parecer uma solução rápida, mas o alívio tende a durar pouco. Depois, podem surgir culpa, preocupação com as contas e até novas compras para compensar o desconforto. Esse ciclo entre consumismo e saúde mental ganhou dimensão nos dados de uma pesquisa da Serasa divulgada entre agosto e setembro de 2026.
Segundo o levantamento, 89% dos brasileiros afirmam que problemas financeiros já afetaram sua saúde mental. Entre os entrevistados, 70% disseram ter acumulado dívidas em decorrência de questões relacionadas à saúde mental, enquanto 64% relataram desorganização financeira. Outros 41% consumiram a reserva de emergência e 37% passaram a depender de crédito para despesas do dia a dia.
Quando a compra deixa de ser uma escolha
Para o psiquiatra Bráulio Brandão, professor de Psiquiatria da Afya Educação Médica Brasília, o consumismo pode estar associado a quadros de ansiedade, depressão e transtornos do controle de impulsos. “A pressão social e a busca por bens materiais podem gerar ansiedade, tanto pela necessidade de adquirir quanto pelas consequências financeiras após o gasto”, explica.
O especialista diferencia o consumo habitual do comportamento disfuncional. Compras impulsivas e repetitivas, seguidas de arrependimento imediato ou endividamento, merecem atenção. Na avaliação da psicóloga Mariana Ramos, professora da Afya Centro Universitário Itaperuna, comprar pode funcionar como uma estratégia de regulação emocional.
“Quando a pessoa percebe que comprar melhora momentaneamente o estado emocional, o cérebro aprende rapidamente essa associação. O problema surge quando essa passa a ser a principal forma de lidar com sentimentos como tristeza, estresse ou vazio”, afirma.
5 estratégias para controlar o consumismo
- Identifique o gatilho: antes de finalizar a compra, pergunte se existe uma necessidade real ou uma tentativa de aliviar alguma emoção.
- Faça uma pausa: esperar 24 ou 48 horas antes de uma compra não essencial ajuda a reduzir o impulso.
- Busque outras recompensas: atividade física, hobbies, contato social e experiências podem oferecer prazer sem criar novos objetos ou dívidas.
- Reduza os estímulos: sair de listas promocionais, deixar de seguir perfis focados em consumo e evitar aplicativos sem objetivo definido são medidas práticas.
- Use as redes com senso crítico: a comparação com estilos de vida idealizados pode estimular compras por status e pertencimento.
Uma pesquisa publicada em 2024 na revista Personality and Individual Differences, com mais de 800 participantes, identificou associação entre sintomas depressivos, comparações sociais ascendentes no Instagram, autoestima, humor e emoções. Por isso, observar o que dispara a vontade de comprar é também uma forma de cuidar do bem-estar emocional.
Quando o comportamento causa prejuízos frequentes, sofrimento ou dificuldade persistente de controle, buscar avaliação profissional pode ajudar a compreender os gatilhos e construir alternativas mais saudáveis.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



