Saúde mental das mães depende de renda, creche e rede de apoio
Levantamento do Instituto C destaca desafios enfrentados por mães solo durante o Setembro Amarelo
Durante o Setembro Amarelo, o Instituto C divulgou dados que evidenciam a complexidade da saúde mental das mães, especialmente aquelas que cuidam sozinhas de crianças pequenas. Segundo o levantamento, 47,1% das famílias acompanhadas pela organização com crianças de até seis anos são monoparentais. Dentre as mães que trabalham nesse grupo, 68,8% atuam na informalidade, o que implica menor estabilidade financeira e proteção social.
O estudo considerou 499 famílias ativas na base do Instituto C, das quais 172 têm crianças nessa faixa etária. Entre as mães com informação disponível sobre raça ou cor, 76,8% são pretas ou pardas. Embora os dados reflitam o público atendido pela organização e não a realidade nacional, eles destacam fatores que podem agravar a sobrecarga emocional, como a concentração da responsabilidade do cuidado, trabalho precário, pouco tempo para descanso e dificuldades no acesso a serviços.
Desafios do cuidado concentrado
Vera Carvalho Oliveira, fundadora do Instituto C e mestre em Políticas Públicas pelo Insper, ressalta que “quando o cuidado com os filhos se concentra em uma mulher de pouca ou nenhuma renda, e sem rede de apoio, o cansaço deixa de ser episódico e passa a fazer parte do dia a dia”. Ela enfatiza que a escuta deve ser acompanhada de ajuda concreta, como orientação para o acesso a direitos e divisão das responsabilidades.
Atuação do Instituto C
O Instituto C realiza atendimento multidisciplinar, escuta qualificada e articulação com a rede pública, focando no fortalecimento de vínculos, acesso a direitos, autonomia e orientação sobre renda e trabalho. Quando necessário, conecta as famílias a serviços de saúde e proteção social. Em 2025, a organização acompanhou 950 famílias, com monitoramento que indicou melhora da autoestima em 78% dos casos avaliados, fortalecimento de vínculos em 87%, avanço da autonomia em 82% e ampliação do acesso a direitos em 95%. Esses são indicadores sociais que refletem o impacto do trabalho, distintos de avaliações clínicas.
Sinais de alerta e apoio
Alterações persistentes de humor, tristeza profunda, ansiedade intensa, culpa excessiva, isolamento e perda de interesse por atividades cotidianas podem indicar a necessidade de avaliação profissional. Familiares e amigos podem contribuir oferecendo escuta sem julgamento, assumindo tarefas, cuidando das crianças ou acompanhando a mãe a serviços de saúde. Em casos de sofrimento intenso ou risco imediato, é fundamental buscar atendimento de emergência. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, disponível 24 horas, e o SAMU pode ser acionado pelo 192.
Vera Carvalho Oliveira complementa: “Ao dizer para uma mãe que ela deve se cuidar, é preciso perguntar se ela tem com quem deixar os filhos, renda para se deslocar e acesso a serviços que ela tem direito”. O cuidado integral, que inclui apoio concreto e compartilhamento de responsabilidades, é essencial para fortalecer a saúde mental das mães.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



