Terapia com animais ajuda crianças em adoção a reconstruir vínculos

Natureza Conecta usa interação com animais resgatados para trabalhar confiança e emoções em jovens acolhidos

Para crianças e adolescentes que passaram por abandono, violência ou múltiplas rupturas de vínculos, reconstruir a confiança pode ser um desafio complexo. A Terapia Assistida por Animais (TAA) tem sido utilizada como um recurso terapêutico para apoiar esses jovens durante o processo de adoção, ajudando-os a trabalhar segurança, limites e a expressão de emoções.

A organização social Natureza Conecta, sediada em Itu (SP), realiza esse trabalho com crianças e adolescentes em acolhimento institucional de diversas cidades do estado de São Paulo. As atividades envolvem a interação com animais resgatados, como cães, cavalos, vacas, bois, cabras e porcos, e são conduzidas por uma equipe multidisciplinar.

Interações estruturadas e objetivos terapêuticos

As sessões de TAA não são momentos de recreação livre, mas encontros planejados com objetivos terapêuticos e socioemocionais definidos pela equipe técnica. Durante as atividades, as crianças aprendem a observar as reações dos animais, respeitar seus limites e assumir pequenas responsabilidades relacionadas ao cuidado.

Essas experiências ajudam a desenvolver habilidades como reciprocidade, previsibilidade, empatia e autorregulação. “O trabalho terapêutico não é exigir que a criança confie, mas criar experiências repetidas de segurança e previsibilidade, a partir das quais novos vínculos possam ser construídos”, explica Laiz Moreno, psicóloga da Natureza Conecta.

Animais como ponte para expressão emocional

Um caso acompanhado pela organização ilustra o potencial da terapia: um menino de sete anos que presenciou o assassinato do pai participava das atividades durante o processo de aproximação com a família que o adotaria. Quando Chico, um galo resgatado, morreu após ser atacado por um cachorro, a equipe realizou uma despedida com as crianças.

Diante do corpo do animal, o menino perguntou se seria possível abrir seus olhos para que ele voltasse à vida, relacionando a situação à morte do pai. Esse momento abriu espaço para trabalhar temas como morte, luto e a sensação de impotência diante da perda.

“O animal muitas vezes cria uma situação concreta a partir da qual a criança consegue expressar algo que ainda não conseguia colocar em palavras”, afirma Daniela Gurgel, médica-veterinária e fundadora da Natureza Conecta.

Desafios da adoção e da construção de vínculos

Segundo dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), cerca de 37 mil crianças e adolescentes vivem em serviços de acolhimento no Brasil. O Conselho Nacional de Justiça aponta que aproximadamente 6 mil estão disponíveis para adoção, enquanto cerca de 32 mil pretendentes estão habilitados.

Essa discrepância evidencia que o desafio da adoção vai além do encontro entre crianças e famílias, envolvendo também o enfrentamento dos traumas emocionais decorrentes das rupturas e negligências anteriores. A Natureza Conecta atua justamente nesse campo, promovendo experiências de cuidado, respeito e segurança que favorecem a construção de novos vínculos afetivos.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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