Saúde mental no trabalho: o cuidado não termina em setembro
Afastamentos por transtornos mentais cresceram em 2025, reforçando a necessidade de mudanças permanentes na rotina das empresas.
Campanhas de conscientização ajudam a colocar a saúde mental em pauta, mas não resolvem, sozinhas, problemas como sobrecarga, assédio, metas incompatíveis e falta de apoio. Em 2025, o Brasil registrou 546.254 concessões de benefícios por incapacidade temporária relacionadas a transtornos mentais e comportamentais, segundo o Ministério da Previdência Social.
O número representa um crescimento de aproximadamente 15% em relação a 2024, quando foram contabilizados 472.328 afastamentos. O dado reforça uma questão importante para empresas e funcionárias: o cuidado não pode aparecer apenas durante as campanhas de setembro.
O que muda com a atenção aos riscos psicossociais
Desde maio de 2026, a NR1 passou a mencionar expressamente os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Na prática, a análise do ambiente de trabalho também deve considerar fatores ligados à forma como as atividades são organizadas.
Entram nessa avaliação as jornadas excessivas, o volume de demandas, a falta de autonomia, os conflitos entre equipes, a insegurança, o assédio e a ausência de suporte das lideranças. São situações que podem afetar a saúde e a experiência profissional no dia a dia.
“Uma campanha pode abrir espaço para uma conversa que antes não acontecia. Mas, se o colaborador voltar para uma rotina marcada por sobrecarga, falta de diálogo ou insegurança, a mensagem perde força. O cuidado precisa aparecer nas decisões, na postura das lideranças e na forma como o trabalho é organizado”, afirma Carol Zein, sócia-diretora da Mami&Co.
Maternidade e outras transições também exigem acolhimento
A vida pessoal não fica do lado de fora do escritório. Luto, adoecimento de familiares, separação, dificuldades financeiras e a chegada de um filho podem mudar a maneira como uma pessoa vivencia a rotina profissional.
No caso da maternidade, o retorno após a licença é um momento que exige atenção. “Acolher essa transição não é diminuir sua capacidade, e sim reconhecer que a vida mudou e que o trabalho também pode precisar de ajustes”, diz Carol.
Para discutir esses temas, a Mami&Co programou encontros sobre relacionamento interpessoal, saúde financeira e saúde mental nos dias 9, 15 e 22 de setembro. A empresa também criou a Caixa da Gentileza, espaço para mensagens de agradecimento, reconhecimento e incentivo entre colegas.
Cinco medidas para ir além da campanha
- Ouvir com segurança: oferecer canais confidenciais, sem medo de exposição ou retaliação.
- Avaliar a rotina: observar metas, jornadas, pausas, demandas e autonomia.
- Preparar lideranças: ensinar gestores a reconhecer sinais de sobrecarga e encaminhar situações que exigem apoio.
- Acolher transições: considerar retornos de licença, lutos e mudanças familiares.
- Acompanhar resultados: transformar diagnósticos em planos de ação revisados periodicamente.
Setembro pode iniciar a conversa, mas a saúde mental precisa aparecer nas decisões e relações de todos os meses.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



