Hiperfoco no TDAH: por que tarefas simples são adiadas

Concentração intensa e procrastinação podem coexistir no TDAH, mas nenhum dos dois comportamentos, isoladamente, confirma o diagnóstico.

Passar horas concentrada em uma atividade e, depois, não conseguir começar uma tarefa simples pode parecer contraditório. Em adultos com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), porém, essa alternância pode estar relacionada à forma como a atenção é regulada — e não apenas à capacidade de se concentrar.

É nesse contexto que aparece o hiperfoco: períodos de envolvimento intenso com algo que desperta muito interesse. A pessoa pode perder a noção do tempo, ter dificuldade para interromper a atividade e permanecer completamente imersa nela. Isso não significa que o TDAH seja uma incapacidade constante de prestar atenção.

Hiperfoco e procrastinação podem coexistir

Segundo o neurologista Dr. Matheus Luis Castelan Trilico, referência no atendimento de adultos com TDAH e Transtorno do Espectro Autista (TEA), a questão central está em conseguir direcionar, sustentar e mudar o foco conforme as necessidades do momento. “Uma das questões importantes no TDAH é a regulação da atenção. A pessoa pode ter dificuldade para iniciar ou sustentar uma atividade pouco estimulante e, em outro momento, permanecer profundamente envolvida em algo que desperta muito interesse”, explica.

Na prática, isso pode aparecer na dificuldade de responder a uma mensagem importante, organizar documentos, pagar uma conta, iniciar um relatório ou realizar uma tarefa doméstica. A atividade até pode ser necessária, mas parece faltar o impulso para dar o primeiro passo.

O neurologista, no entanto, faz uma ressalva importante: procrastinar não é sinônimo de ter TDAH. Cansaço, estresse, sobrecarga, noites mal dormidas e outras condições também podem afetar a atenção e a disposição para começar uma tarefa.

Quando procurar avaliação para TDAH?

O diagnóstico não deve ser baseado em um comportamento isolado. “É preciso avaliar o conjunto de sintomas, a persistência dessas características, o histórico desde a infância e se existem prejuízos em diferentes áreas da vida”, ressalta Trilico.

Por isso, dificuldades persistentes que afetam o trabalho, os estudos, a organização da casa ou os relacionamentos merecem avaliação especializada. O hiperfoco e a procrastinação podem fazer parte do quadro, mas não são suficientes, sozinhos, para confirmá-lo.

Estratégias para facilitar o começo

Para quem sente que o mais difícil é iniciar, algumas mudanças práticas podem ajudar a reduzir a barreira de entrada:

  • dividir tarefas grandes em etapas menores;
  • trocar “terminar o relatório” por “abrir o documento” como primeiro objetivo;
  • definir com antecedência quando e onde a tarefa será feita;
  • usar lembretes visíveis;
  • deixar os materiais preparados.

Essas estratégias não substituem o acompanhamento profissional, mas podem tornar o início menos pesado. Para Trilico, compreender esse funcionamento também ajuda a afastar a ideia de que toda dificuldade seria falta de esforço, interesse ou disciplina.

“O diagnóstico não deve servir para explicar qualquer comportamento, mas para compreender um padrão que provoca prejuízos reais na vida”, finaliza o neurologista.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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