Harmonização facial: naturalidade é o novo luxo na estética
Decisão do TRF-1 reacende debate sobre segurança e formação profissional na harmonização facial
O rosto com aparência excessivamente preenchida, lábios muito volumosos e mandíbula marcada perdeu espaço entre muitos pacientes. A nova tendência na harmonização facial é buscar resultados discretos, que corrijam incômodos sem apagar os traços individuais — e a segurança passou a ser tão importante quanto o efeito estético.
Essa discussão ganhou força após uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em 19 de agosto de 2026. Por maioria de votos, a 8ª Turma anulou uma resolução do Conselho Federal de Odontologia (CFO) que reconhecia a harmonização orofacial como especialidade odontológica e permitia procedimentos estéticos invasivos em toda a face.
A decisão atendeu a recursos do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). O entendimento do tribunal foi de que uma resolução de conselho profissional não pode ampliar o campo de atuação de uma profissão além dos limites previstos em lei. O julgamento ainda não é definitivo: o CFO informou que pretende recorrer e orientou os cirurgiões-dentistas a manter os atendimentos até uma decisão final.
Do rosto padronizado ao resultado personalizado
Enquanto a questão jurídica se desenrola, o comportamento dos pacientes também muda. A dermatologista Maria Lígia Mendonça, com 14 anos de experiência, observa que muitos pacientes não querem transformar completamente o rosto.
“Hoje, o paciente chega muito mais consciente do que quer. Ele não quer necessariamente mudar o rosto. Quer melhorar aquilo que o incomoda, mas continuar se reconhecendo no espelho”, afirma.
A chamada “Instagram face”, caracterizada por volumes exagerados e contornos muito marcados, tem provocado uma reação contrária. “A gente passou por um período de muitos excessos, de muito exagero. Hoje, praticamente todo paciente que chega pela primeira vez me diz a mesma frase: ‘vim aqui porque sei que o resultado é natural’”, relata a dermatologista.
Para alcançar esse equilíbrio, a avaliação deve considerar proporções, estrutura facial, idade, qualidade da pele e expectativas individuais. Embora a abordagem global do rosto possa melhorar os resultados, ela não deve levar à padronização dos procedimentos.
Segurança deve ser prioridade na escolha
O julgamento também destacou a importância da formação adequada para realizar procedimentos injetáveis. Um exemplo citado foi o ácido hialurônico, que, se aplicado de forma inadequada, pode atingir vasos sanguíneos e, em casos raros, causar complicações graves, como perda de visão.
“Quando falamos de procedimentos injetáveis, não estamos falando apenas de estética. Estamos falando de anatomia, conhecimento técnico e capacidade para reconhecer e tratar uma eventual complicação”, explica Maria Lígia.
Por isso, a escolha do profissional não deve se basear apenas em preço, fotos de antes e depois ou número de seguidores nas redes sociais. Formação, conhecimento anatômico, experiência e estrutura para lidar com intercorrências são essenciais para garantir segurança e qualidade no atendimento.
Na estética facial atual, o resultado mais valorizado é aquele que preserva a identidade do paciente, sem evidenciar que houve procedimento estético.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



