Endometriose: quando a cólica forte pede investigação
Histórico familiar pode aumentar o risco de endometriose; especialistas explicam sinais de alerta, diagnóstico e opções que preservam a fertilidade.
Se a cólica intensa é tratada como uma tradição familiar, é hora de olhar para essa história com mais atenção. Mulheres que têm mãe, irmã ou filha diagnosticada com endometriose podem apresentar risco até sete vezes maior de desenvolver a doença, segundo pesquisas citadas pelo ginecologista Thiers Soares. Ainda assim, o diagnóstico no Brasil pode levar de sete a dez anos.
O alerta é importante porque muitas pacientes crescem ouvindo que sentir muita dor faz parte da menstruação. Nesse intervalo, a endometriose pode avançar, afetar a qualidade de vida e comprometer a fertilidade. De acordo com estimativas mencionadas no material, cerca de sete milhões de brasileiras convivem com a condição.
Quando a cólica deixa de ser um desconforto comum?
Um leve incômodo nos primeiros dias do ciclo pode acontecer, mas alguns padrões merecem avaliação médica. Entre os sinais de alerta estão:
- dor que incapacita ou não melhora com analgésicos comuns;
- dor pélvica fora do período menstrual;
- desconforto durante as relações sexuais;
- dor ao urinar ou durante a evacuação;
- histórico familiar de endometriose.
A endometriose ocorre quando o tecido semelhante ao que reveste o interior do útero se desenvolve em outras regiões, como ovários, trompas e estruturas da pelve. Já a adenomiose acontece quando esse tecido se infiltra na musculatura uterina. As duas condições podem aparecer juntas e estão entre as causas relacionadas à dificuldade para engravidar.
Dados do Instituto GERA indicam que a adenomiose isolada reduz em 43% a chance de gravidez clínica e triplica o risco de aborto espontâneo. “A normalização da dor é um dos maiores obstáculos que enfrentamos”, afirma Thiers Soares. Para o especialista, muitas mulheres só chegam ao consultório quando a doença já comprometeu estruturas importantes.
Cirurgia robótica pode ajudar a preservar o útero
Em casos selecionados, a cirurgia robótica é apresentada como uma alternativa para tratar focos de endometriose e adenomiose com maior precisão. A tecnologia oferece visão tridimensional ampliada e instrumentos articulados, recursos que podem facilitar intervenções em áreas de difícil acesso.
Isso não significa que o procedimento seja indicado para todas as pacientes ou que elimine a necessidade de uma avaliação individualizada. A escolha depende da extensão da doença, dos sintomas, dos planos reprodutivos e das condições clínicas de cada mulher.
“A robótica não veio substituir o cuidado humano. Ela veio torná-lo mais certeiro”, diz o médico. A proposta é que, quando possível, o tratamento preserve o útero e mantenha abertas as opções relacionadas à maternidade.
O que fazer diante do histórico familiar?
Informar o ginecologista sobre casos de endometriose na família é um passo simples, inclusive nas consultas de rotina. Mesmo sem dor intensa, esse dado pode orientar o acompanhamento e ajudar a identificar mudanças mais cedo.
A investigação precoce não deve ser substituída por autodiagnóstico. Diante de cólicas incapacitantes ou sintomas persistentes, procure atendimento ginecológico e relate quando a dor aparece, quanto tempo dura e como interfere na rotina.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



