Adolescente de 16 anos escapa de sequestro com spray no Rio

Suspeito foi preso após investigação; caso destaca importância da lei de defesa para mulheres

Uma jovem de 16 anos escapou de um sequestro no Engenho Novo, Zona Norte do Rio de Janeiro, ao usar um spray de defesa contra o homem que a havia levado à força para dentro de um carro. O crime ocorreu por volta das 19h40 de sexta-feira (4), na Rua Dona Romana.

De acordo com o relato do pai da adolescente, o suspeito, identificado como Anderson Rodrigues Leite, simulou estar armado ao levantar a camisa, fazendo a jovem acreditar inicialmente que se tratava de um assalto. Ao ser puxada para dentro do veículo, ela aguardou um momento de distração do motorista, aplicou o spray no rosto dele e conseguiu abrir a porta do carro em movimento, saltando para fora. Na queda, sofreu escoriações no joelho e bateu a cabeça, mas conseguiu correr até um condomínio próximo e pedir ajuda.

Investigação e prisão do suspeito

O suspeito foi localizado pela Polícia Civil em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, na noite de terça-feira (8). Ele foi conduzido à 23ª Delegacia de Polícia (Méier) e preso na madrugada de quarta-feira (9), após a expedição de mandado judicial. O caso é investigado como tentativa de sequestro e roubo.

Equipes da 23ª DP, da 44ª DP (Inhaúma) e da Divisão Antissequestro participaram da investigação. Imagens de câmeras de segurança e informações do sistema de monitoramento Civitas auxiliaram na identificação do veículo, que foi encontrado em Irajá, e na localização do suspeito.

Lei estadual sobre spray de defesa

O episódio chamou atenção para a Lei Estadual nº 11.025/2025, sancionada em novembro de 2025, que reconhece o spray de extratos vegetais como instrumento não letal de legítima defesa para mulheres no estado do Rio de Janeiro, dentro dos limites estabelecidos pela norma.

A legislação dispensa receita médica e permite que mulheres a partir dos 16 anos adquiram, possuam e portem o produto mediante autorização dos responsáveis legais. Além disso, autoriza o Estado a fornecer gratuitamente o spray a mulheres vítimas de violência doméstica protegidas por medida protetiva, com previsão de ressarcimento dos custos pelo agressor.

A deputada estadual Sarah Poncio, coautora da lei ao lado do deputado Rodrigo Amorim, destacou que o caso evidencia a importância de garantir às mulheres acesso regulamentado a instrumentos não letais de legítima defesa. Segundo ela, a adolescente usou o spray para proteger a própria vida, criando os segundos necessários para fugir e pedir ajuda.

Sarah Poncio ressaltou que o uso do spray não deve ser interpretado como incentivo para reagir a assaltos ou colocar a vida em risco por bens materiais. Ela afirmou que o spray oferece uma oportunidade de fuga diante de uma ameaça extrema, sem substituir a polícia ou retirar do Estado sua responsabilidade.

A prisão do suspeito representa uma resposta necessária das autoridades, mas a parlamentar enfatiza a necessidade de continuar trabalhando para que nenhuma mulher fique indefesa diante da violência.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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