Saúde cerebral: hábitos que preservam a autonomia na velhice

Estimulação cognitiva, atividade física e aprendizagem fortalecem a reserva cognitiva para um envelhecimento saudável

Assim como o coração, os músculos e os ossos, o cérebro também se beneficia de cuidados contínuos. Estimulação cognitiva, atividade física, aprendizagem e hábitos saudáveis podem contribuir para a manutenção das funções cognitivas e para a construção da chamada reserva cognitiva — uma proteção associada à capacidade de lidar melhor com as mudanças relacionadas à idade e às doenças neurodegenerativas.

Isso não significa que exista uma atividade capaz de prevenir ou curar a doença de Alzheimer. A ideia é mais ampla: manter o cérebro ativo pode fazer parte de uma rotina de promoção da saúde e de preparação para um envelhecimento com mais autonomia.

O que é reserva cognitiva?

A reserva cognitiva é construída ao longo da vida por meio de experiências, aprendizagem e estímulos variados. Ela envolve funções como memória, atenção, linguagem, raciocínio, planejamento, tomada de decisão e velocidade de processamento.

“Cuidar do cérebro não deve começar quando aparecem os primeiros esquecimentos. A saúde cerebral é construída ao longo da vida, por meio de diferentes estímulos e hábitos”, explica Patrícia Lessa, diretora pedagógica do Supera – Estimulação Cognitiva.

Mais do que exercícios de memória

Desafios que exigem aprender algo novo, resolver problemas, mudar de estratégia e lidar com informações diferentes podem trabalhar várias habilidades ao mesmo tempo. Por isso, uma rotina de estímulos não precisa se limitar a jogos de memória.

Entre as possibilidades estão:

  • aprender um idioma, instrumento ou habilidade nova;
  • ler e conversar sobre assuntos diferentes;
  • praticar atividades físicas;
  • resolver problemas e jogos que exigem planejamento;
  • manter uma rotina de sono, alimentação e cuidados de saúde.

O método Supera, citado no material, combina ábaco, exercícios cognitivos, jogos de tabuleiro, dinâmicas em grupo, exercícios neuróbicos e plataforma digital. A proposta é estimular diferentes funções cognitivas com atividades variadas e grau de desafio progressivo.

O que diz o estudo citado?

Um estudo publicado em 2026 na revista International Psychogeriatrics, conduzido por pesquisadores do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em colaboração com a EACH-USP e o Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do HCFMUSP, avaliou idosos escolarizados sem comprometimento cognitivo.

Entre os participantes que realizaram o método Supera, foram observadas redução de aproximadamente 60% nas queixas cognitivas e melhora de cerca de 45% no desempenho de memória ao longo de um ano, além de avanços em funções executivas e cognição global. Os resultados descritos não permitem afirmar que a estimulação previna ou cure o Alzheimer.

Quando procurar avaliação?

Esquecimentos ocasionais podem acontecer, mas alterações frequentes, progressivas e que interferem na rotina merecem atenção. Dificuldade persistente para realizar tarefas habituais, encontrar palavras, planejar atividades ou se orientar em lugares conhecidos são sinais que devem ser avaliados por profissionais de saúde.

“Quanto antes uma alteração é identificada, maiores são as possibilidades de compreender suas causas e estabelecer estratégias de cuidado”, orienta Patrícia.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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