Apostas esportivas já atrasam contas de 53% dos apostadores
Pesquisa revela impacto financeiro das apostas no orçamento doméstico brasileiro
As apostas esportivas deixaram de ser apenas uma diversão ligada a grandes jogos e passaram a interferir no orçamento de muitas famílias brasileiras. Segundo a pesquisa Pulso | Apostas 2026, da Hibou, 53% dos apostadores já deixaram de pagar uma conta em dia para conseguir apostar.
O levantamento foi realizado entre 28 e 31 de agosto de 2026, com 2.470 brasileiros maiores de 18 anos, das classes ABCD, em todas as regiões do país. Entre os entrevistados, 38% afirmaram apostar em bets.
Contas e compras da casa ficam em segundo plano
O atraso de contas foi relatado por 28% dos apostadores algumas vezes e por 25% uma vez. Outros 26% chegaram a pensar em adiar um pagamento para apostar, mas desistiram. Apenas 21% disseram nunca ter passado por essa situação.
O impacto também aparece nas despesas domésticas. Ao todo, 59% afirmaram já ter reduzido as compras para casa por causa das apostas: 45% fizeram isso algumas vezes e 14% uma vez. Embora boa parte aposte valores considerados baixos por rodada, o efeito acumulado pode pesar no fim do mês.
O que leva os brasileiros a apostar?
A possibilidade de ganhar dinheiro é a principal motivação, citada por 47% dos apostadores. Diversão e entretenimento aparecem em seguida, com 42%, enquanto 33% dizem buscar mais emoção ao acompanhar partidas.
A influência de amigos ou do grupo social foi mencionada por 22%, e 20% apostam com a intenção de monetizar o conhecimento sobre esportes. Bônus e promoções das plataformas foram citados por apenas 4% dos participantes.
O hábito já faz parte da rotina
A frequência das apostas reforça a presença desse comportamento no dia a dia. Trinta e nove por cento apostam algumas vezes por mês, 22% uma vez por semana e 11% várias vezes por semana. Outros 26% afirmaram apostar há mais de cinco anos.
“Não estamos falando mais de um comportamento esporádico ligado a grandes eventos, mas de um hábito recorrente, quase parte da rotina financeira das famílias e isso é o que mais chama atenção do ponto de vista de consumo”, analisa Ligia Mello, CSO da Hibou.
Percepção do risco não interrompe as apostas
O dado chama atenção porque 80% dos apostadores concordam ou concordam totalmente que as apostas esportivas podem se tornar um vício. Ainda assim, 15% já sentiram que o hábito estava saindo do controle ou afetando negativamente a vida financeira ou emocional — 6% frequentemente e 9% algumas vezes.
Para Ligia Mello, existe uma contradição entre reconhecer o risco e manter a rotina de apostas. “É preciso pensar em mecanismos de proteção financeira e emocional junto com esse público”, avalia.
A pesquisa tem margem de erro de 1,9 ponto percentual e foi conduzida por meio de painel digital.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



