Anvisa aprova atogepanto para prevenção da enxaqueca
Novo tratamento oral indicado para adultos com pelo menos quatro dias de enxaqueca por mês
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o atogepanto para a prevenção da enxaqueca em adultos que apresentam pelo menos quatro dias de crises por mês. O medicamento, administrado por via oral, representa uma nova alternativa terapêutica para o controle da doença, especialmente para pacientes que não respondem adequadamente aos tratamentos disponíveis.
A aprovação foi anunciada pela AbbVie em 8 de setembro de 2026, fundamentada nos resultados dos estudos internacionais de Fase 3 ADVANCE e PROGRESS. Essas pesquisas avaliaram a eficácia, segurança e tolerabilidade do atogepanto em adultos com enxaqueca episódica e crônica, respectivamente.
Como o atogepanto atua
O atogepanto é um antagonista oral do receptor do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP), um neuropeptídeo envolvido na transmissão da dor e na ativação de vias relacionadas às crises de enxaqueca. O medicamento bloqueia a interação entre o CGRP e seu receptor, uma estratégia terapêutica que tem ganhado destaque no tratamento da enxaqueca.
A indicação, dosagem e acompanhamento do tratamento devem ser definidos por um profissional de saúde qualificado.
Resultados dos estudos clínicos
No estudo ADVANCE, que contou com 910 participantes com enxaqueca episódica, o tratamento com atogepanto 60 mg uma vez ao dia resultou em uma redução média de 4,1 dias mensais de enxaqueca, em comparação com 2,5 dias no grupo placebo, conforme divulgado no material da aprovação.
O estudo PROGRESS avaliou a eficácia do medicamento em adultos com enxaqueca crônica. Embora o material da aprovação informe que ambos os estudos demonstraram redução estatisticamente significativa dos dias mensais de enxaqueca, os resultados numéricos completos do PROGRESS não foram detalhados.
Impacto da enxaqueca na vida dos pacientes
A enxaqueca é uma das doenças neurológicas mais incapacitantes globalmente. No Brasil, estima-se que cerca de 31 milhões de pessoas convivam com a condição, que pode afetar o desempenho no trabalho, nos estudos, a vida familiar e a saúde mental.
“A enxaqueca é uma doença neurológica crônica e muitas vezes invisível para quem não convive com ela. Não se trata apenas de dor de cabeça”, destaca Alexandre Venturi, neurologista, membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia e preceptor do Serviço de Neurologia da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.
O especialista ressalta que o avanço no conhecimento sobre o papel do CGRP na fisiopatologia da enxaqueca possibilitou o desenvolvimento de terapias com mecanismos de ação específicos, ampliando as opções para tratamentos individualizados. Apesar da aprovação do atogepanto ampliar as alternativas terapêuticas, a avaliação médica continua essencial para o diagnóstico e manejo adequados da doença.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



