IA no trabalho: por que a criatividade ganhou valor
Pesquisa de doutorado na UTFPR analisa como a inteligência artificial pode mudar os critérios usados para avaliar profissionais
A inteligência artificial (IA) já é capaz de escrever textos, resumir documentos, analisar informações, programar e organizar grandes volumes de dados. Essa evolução tecnológica está provocando uma mudança significativa na forma como o mercado de trabalho avalia o que torna um profissional valioso.
Uma pesquisa de doutorado realizada na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) investigou essa transformação. O estudo analisou inicialmente um portfólio de 1.004 artigos científicos internacionais e, após critérios rigorosos de seleção, concentrou-se em 101 estudos de maior impacto para construir seu modelo analítico.
Conhecimento técnico continua relevante, mas não é suficiente
O avanço da IA não diminui a importância da formação, experiência e conhecimento técnico. O que muda é o acesso a essas informações, que se torna mais rápido e democrático. Atualmente, ferramentas de IA podem auxiliar na busca por dados, comparação de alternativas e sugestão de soluções em questão de segundos.
Assim, o diferencial profissional tende a se deslocar da mera repetição de procedimentos para a capacidade de aplicar o conhecimento em situações inéditas. A pesquisa sugere que a criatividade assume um papel cada vez mais central nesse contexto.
Essa criatividade vai além da geração de ideias originais: envolve a habilidade de conectar conhecimentos diversos, questionar soluções aparentemente óbvias e encontrar caminhos para problemas sem respostas prontas.
Identificando talentos criativos nas empresas
Embora diplomas e currículos comprovem formação e experiência, eles não revelam como uma pessoa pensa diante de desafios novos. Por isso, os processos seletivos precisam considerar características como:
- curiosidade e disposição para aprender;
- pensamento crítico;
- capacidade de adaptação;
- resolução de problemas complexos;
- habilidade para conectar referências e experiências.
Trajetórias profissionais menos convencionais podem indicar repertório diversificado, flexibilidade e aptidão para encontrar soluções alternativas.
Ambientes que estimulam a criatividade são essenciais
A pesquisa destaca que a criatividade não é uma qualidade isolada do indivíduo, mas nasce da interação com pessoas, técnicas, culturas e experiências acumuladas. Portanto, contratar profissionais criativos não basta se a organização mantém uma cultura hierárquica, burocrática e intolerante a erros.
Sem autonomia para experimentar, até as melhores ideias podem não se transformar em resultados concretos. Para apoiar essa transformação, foi desenvolvido o protótipo do Sistema Web MACI, que diagnostica fatores relacionados à criatividade nas organizações e sugere intervenções para profissionais de Recursos Humanos e lideranças.
O debate não deve ser uma oposição entre humanos e máquinas. A IA pode acelerar tarefas e ampliar possibilidades, mas o desafio está em utilizá-la sem aceitar automaticamente a primeira resposta plausível. Em um mercado que produz soluções rapidamente, repertório, contexto, pensamento crítico e criatividade tornam-se ainda mais valiosos.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



