Casa que causou escândalo em 1928 recebe feira de arte
Casa Victoria Ocampo, em Buenos Aires, será sede da primeira edição internacional da ArPa, entre 16 e 20 de setembro de 2026.
Uma casa branca, de linhas retas e quase sem ornamentos, que provocou protestos entre os vizinhos em 1928 vai receber uma feira de arte contemporânea quase um século depois. A Casa Victoria Ocampo, em Palermo, Buenos Aires, será sede da primeira edição internacional da ArPa, entre 16 e 20 de setembro de 2026.
O endereço não foi escolhido apenas pela beleza ou pela importância histórica. A proposta da feira é ocupar edifícios protegidos e fazer com que a arquitetura participe da experiência do público. Em São Paulo, a ArPa acontece na Mercado Livre Arena Pacaembu, construção inaugurada em 1940.
Uma casa que rompeu com o padrão da época
Encomendada por Victoria Ocampo ao arquiteto Alejandro Bustillo, a residência destoava das mansões afrancesadas do Barrio Parque. Seus volumes brancos, planos retos e decoração reduzida eram incomuns para a vizinhança, que reagiu com protestos e atritos com a municipalidade.
A casa costuma ser apontada como a primeira residência racionalista de Buenos Aires e uma das primeiras da América Latina. Em 2022, recebeu o título de Monumento Histórico Nacional. Desde 2005, o imóvel é aberto ao público como sede cultural do Fondo Nacional de las Artes (FNA).
Victoria Ocampo viveu no local por pouco mais de dez anos e vendeu a residência em 1940. Antes disso, o endereço se tornou um ponto importante da vida cultural argentina: em 1931, recebeu o grupo fundador da revista Sur, publicação criada por Ocampo.
Da revista Sur à arte brasileira
A relação da casa com o Brasil também passa pela literatura. Em setembro de 1942, a Sur dedicou uma edição inteira às letras brasileiras, reunindo nomes como Manuel Bandeira, Mário e Oswald de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Rachel de Queiroz e Portinari.
O próprio FNA reproduz uma frase de Victoria Ocampo sobre a residência. Ao explicar sua relação com o projeto, ela afirmou ter “fome de paredes brancas e vazias”. A frase ajuda a entender por que a construção se tornou tão marcante: a casa não tenta desaparecer na paisagem, mas se impõe por sua simplicidade.
Arte contemporânea dentro e fora da residência
Durante os cinco dias do evento, cerca de 20 galerias, predominantemente argentinas, participarão da programação, com presença de casas brasileiras. Cada galeria poderá apresentar até dois artistas, formato que transforma os ambientes em pequenas mostras.
O jardim receberá um setor de esculturas, enquanto o FNA fará visitas guiadas sobre o patrimônio do imóvel. A montagem seguirá um protocolo de impacto zero supervisionado pela instituição, e a realização da feira contribuirá para o processo de restauração iniciado em 2016.
“Uma casa com salas e jardim entrega isso melhor que qualquer pavilhão, então a Casa Victoria Ocampo entra como parte da proposta, mais do que como cenário”, explica Camilla Barella, diretora-geral e fundadora da ArPa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



