Mães neurodivergentes: quando o diagnóstico traz alívio

Entenda como hipersensibilidade, sobrecarga e diagnósticos tardios podem afetar a rotina, sem definir o amor ou a capacidade de cuidar.

Quando se fala em neurodivergência na maternidade, o foco costuma estar nos filhos. Mas existe outra história que ainda recebe pouca atenção: a de mulheres com TDAH ou autismo que também cuidam de crianças. Para a pediatra Marli Rio, essa maternidade pode envolver desafios específicos — e eles não têm relação com falta de amor ou de cuidado.

As dificuldades podem aparecer no contato físico, na resposta aos estímulos e na organização da rotina. Sem informação e apoio, situações comuns do dia a dia acabam sendo interpretadas como rejeição, desinteresse ou incapacidade.

Hipersensibilidade pode tornar a rotina mais intensa

Algumas mães autistas apresentam hipersensibilidade ao toque. Nesse contexto, a amamentação ou a necessidade de contato físico constante do bebê pode ser difícil de sustentar, mesmo quando existe vínculo e desejo de cuidar.

A sensibilidade auditiva também pode aumentar a sobrecarga. O choro frequente, os ruídos da casa e a sucessão de estímulos podem ser percebidos de maneira especialmente intensa.

“Isso não significa rejeição ou falta de amor. Significa que o organismo daquela mulher percebe e processa esses estímulos de uma maneira diferente”, explica Marli.

TDAH e o peso de administrar muitas demandas

Para mães com TDAH, a maternidade pode colocar em primeiro plano dificuldades relacionadas ao foco, à memória e à organização. Manter horários, lembrar compromissos, concluir tarefas e lidar com várias demandas ao mesmo tempo pode se tornar um desafio diário.

Segundo a pediatra, essas mulheres muitas vezes são chamadas de desorganizadas, distraídas ou impacientes, quando podem estar apenas sobrecarregadas e sem estratégias adequadas para lidar com a rotina.

“Muitas acabam sendo julgadas como desorganizadas, distraídas, impacientes ou incapazes, quando, na verdade, estão sobrecarregadas e precisam de compreensão e estratégias adequadas”, afirma.

Diagnóstico tardio pode mudar a forma de olhar para o passado

Em alguns casos, o diagnóstico de autismo ou TDAH só chega na vida adulta. Até lá, a mulher pode passar anos acreditando que é estranha, incompetente ou menos mãe do que as outras.

O reconhecimento da neurodivergência não apaga as dificuldades vividas, mas pode oferecer uma explicação para experiências que antes pareciam isoladas. “Quando o diagnóstico chega, ele pode representar um grande alívio”, diz Marli Rio.

A médica resume essa mudança de perspectiva em uma frase: “O diagnóstico não muda a mãe que ela foi. Muda a maneira como ela compreende tudo o que viveu”.

Dar visibilidade às mães neurodivergentes é também ampliar a conversa sobre cuidado. Em vez de cobrar que todas as mulheres maternem da mesma forma, o debate ajuda a reconhecer necessidades diferentes — e a importância de compreensão, suporte e estratégias compatíveis com cada realidade.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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