Cristiano Romero critica prioridades da educação no Brasil
Jornalista relaciona evasão no ensino médio à falta histórica de foco na educação básica
O que acontece quando um país consegue matricular quase todas as crianças no ensino fundamental, mas perde cerca de metade delas no ensino médio? Para o jornalista Cristiano Romero, essa é uma das consequências mais graves de décadas em que a educação básica não esteve no centro das prioridades brasileiras. O tema foi discutido no episódio de estreia do e-loquente cast, videocast criado pelo educador e comunicador Fabrício Zavarise.
Publicado em 2 de setembro de 2026, o programa parte de um contraste histórico: em 1953, ano da campanha “O petróleo é nosso”, apenas 25 de cada 100 crianças brasileiras estavam matriculadas na escola. Na avaliação de Romero, a mobilização popular daquele período revelou uma inversão de prioridades.
“A sociedade brasileira é uma sociedade doente, porque ela foi para as ruas pedir ‘petróleo é nosso’ quando o assunto mais importante era botar as crianças na escola”, afirmou o jornalista, que soma 36 anos de carreira em economia e política e trabalhou por 23 anos no Valor Econômico, onde foi diretor-adjunto de redação e colunista.
Evasão no ensino médio preocupa
Durante a conversa, Romero apontou que a matrícula no ensino fundamental está próxima de 100%, mas cai para cerca de 50% no ensino médio. A diferença, segundo ele, representa jovens que deixam a escola justamente em uma fase decisiva para a formação, a entrada no mercado de trabalho e a construção de projetos de vida.
“Esses 50 vão pra onde? É mão de obra para o crime organizado”, declarou. O jornalista também criticou a distribuição de recursos entre as etapas de ensino: “o Brasil gasta quatro vezes mais com o estudante universitário do que com a educação básica”.
Romero ainda relativizou a ideia de que a escola pública de décadas passadas era melhor para todos. “Você deve ter ouvido dos seus pais, como eu ouvi: ‘a escola pública na minha época era muito boa’. Era boa para 25 de cada 100”, disse.
História, petróleo e democracia
Outro ponto abordado foi a narrativa de que os Estados Unidos teriam impedido o Brasil de produzir petróleo. Romero classificou essa versão como “um dos maiores mitos do imaginário da classe média brasileira” e afirmou que os norte-americanos preferiam contar com vários fornecedores.
A entrevista também passou pela formação do jornalista, pela história recente da imprensa e pelos desafios da democracia. Para Romero, a Constituição de 1988 marcou o momento em que a educação deixou de ser a última prioridade do Estado. “É a democracia que muda as coisas, não o regime autoritário”, afirmou.
O episódio está disponível no YouTube e em plataformas de áudio e vídeo. A conversa com Cristiano Romero terá uma segunda parte, prevista para 5 de setembro, com análises e previsões sobre economia e política no Brasil.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



