Ronco alto: quando ele pode ser sinal de apneia

Ronco frequente, pausas na respiração e sonolência durante o dia merecem atenção e podem indicar um distúrbio do sono tratável.

O ronco pode parecer apenas um incômodo para quem dorme ao lado, mas, quando é alto e frequente, merece ser observado com mais cuidado. Segundo a Associação Brasileira do Sono, cerca de 40% da população adulta no Brasil ronca. Em alguns casos, o barulho pode ser um sinal de Apneia Obstrutiva do Sono (AOS), distúrbio que interrompe a respiração durante a noite e prejudica a qualidade do descanso.

“Quem tem apneia pode acreditar que dormiu a noite inteira, mas o cérebro desperta diversas vezes para restabelecer a respiração. Esses despertares passam despercebidos, mas impedem que o sono seja realmente reparador”, explica a pneumologista e especialista em Medicina do Sono Dra. Carla Alvarenga.

Nem todo ronco indica um problema de saúde

Roncar ocasionalmente pode acontecer durante uma gripe, crises alérgicas, congestão nasal, após o consumo de bebidas alcoólicas ou ao dormir de barriga para cima. Nessas situações, o sintoma tende a desaparecer quando a causa é resolvida.

O alerta aumenta quando o ronco é intenso, acontece com frequência e vem acompanhado de sinais como:

  • pausas na respiração percebidas por familiares;
  • engasgos ou sensação de sufocamento durante o sono;
  • dor de cabeça ao acordar;
  • sonolência excessiva ao longo do dia;
  • dificuldade de memória e concentração;
  • cansaço mesmo após uma noite inteira na cama.

Apneia pode afetar coração, memória e disposição

Na AOS, a respiração é interrompida ou reduzida repetidamente. Isso pode provocar quedas na oxigenação e aumentar o esforço do sistema cardiovascular. A condição está associada a maior risco e pior controle da hipertensão, arritmias, doenças cardiovasculares, AVC e alterações metabólicas, incluindo diabetes tipo 2.

O sono fragmentado também pode favorecer irritabilidade, alterações de memória, redução da disposição e maior risco de quedas. Obesidade, aumento da circunferência do pescoço, tabagismo, álcool antes de dormir e alterações anatômicas das vias aéreas estão entre os fatores que aumentam a probabilidade do distúrbio. Ainda assim, pessoas magras também podem ter apneia.

Envelhecer não significa roncar intensamente

Com o avanço da idade, é esperado que o sono fique mais leve e tenha mais despertares. Porém, ronco intenso, pausas respiratórias e sonolência durante o dia não devem ser tratados como consequências normais do envelhecimento, segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

A melatonina também não é uma solução geral. De acordo com a especialista, o suplemento pode ter indicação em situações específicas relacionadas ao ritmo do sono, mas não trata ronco nem apneia. Diante de sintomas persistentes, o mais importante é procurar avaliação médica para investigar a causa e definir a abordagem adequada.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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