Saúde mental: quando o corpo pede ajuda antes da mente
Insônia, cansaço e dores podem acompanhar ansiedade, depressão e estresse; veja quando buscar atendimento na rede pública de saúde
O sofrimento emocional nem sempre começa com tristeza ou uma crise evidente. Para muitas pessoas, o primeiro sinal aparece no corpo: noites mal dormidas, cansaço persistente, dores, irritabilidade, alterações no apetite ou dificuldade de concentração. Em 2025, foram concedidos 546.254 afastamentos por incapacidade temporária relacionados a condições de saúde mental e comportamental no Brasil, segundo dados do Ministério da Previdência Social — alta de 15,66% em relação ao ano anterior.
O alerta ganha força durante o Setembro Amarelo, período de conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio. Reconhecer mudanças no funcionamento do organismo e na rotina pode ser um passo importante para procurar ajuda antes que o sofrimento se intensifique.
Quais sintomas físicos merecem atenção?
Em situações de estresse prolongado, o organismo permanece em estado de alerta. Essa resposta pode afetar o sono, a alimentação, a disposição e a capacidade de realizar tarefas cotidianas.
De acordo com o psiquiatra do CEJAM, Dr. Rodrigo Lancelote, a ansiedade pode provocar falta de ar, tremores, enjoo, sudorese, dor de cabeça, aperto no peito e sensação de perigo. Esses sintomas são reais e não devem ser reduzidos a exagero ou falta de controle.
“A manifestação física é uma forma legítima de sofrimento. Dizer que a pessoa precisa apenas ‘se acalmar’ aumenta a culpa e dificulta a busca por cuidado. É importante validar o que ela sente, compreender o contexto e avaliar se os sintomas estão interferindo na vida diária”, afirma o especialista.
Mudanças na rotina também são sinais
Nem sempre o sofrimento aparece como uma queixa física clara. Vale observar alterações importantes, como:
- afastamento de familiares e amigos;
- queda no rendimento no trabalho ou nos estudos;
- abandono de atividades antes prazerosas;
- dificuldade para cuidar da higiene e da alimentação;
- aumento do consumo de álcool ou outras substâncias;
- mudanças significativas no sono.
O médico de família e comunidade Dr. Raul Queiroz explica que a pessoa pode procurar atendimento por insônia, dor, cansaço ou palpitações e só depois perceber uma relação com ansiedade, depressão ou estresse intenso.
Onde buscar ajuda pelo SUS?
A Unidade Básica de Saúde (UBS) costuma ser uma porta de entrada para o cuidado. A equipe faz uma escuta inicial, investiga os sintomas, acompanha o caso e pode encaminhar a pessoa para outros serviços da Rede de Atenção Psicossocial, quando necessário.
A busca por atendimento é recomendada quando os sintomas persistem, pioram ou começam a comprometer o trabalho, os relacionamentos e o autocuidado. Em situações de risco imediato, é possível procurar uma unidade de emergência ou acionar o SAMU pelo 192. O CVV oferece atendimento gratuito e sigiloso pelo 188, e os CAPS também integram a rede pública de saúde mental.
Se alguém disser que não vê sentido na vida, gostaria de desaparecer ou não consegue continuar, a fala deve ser levada a sério. Perguntar diretamente sobre pensamentos de morte não estimula o suicídio; pode abrir espaço para acolhimento e encaminhamento profissional.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



