Paulo Camargo lança autoficção sobre memória e afeto
Romance ambientado em Curitiba, em 1985, acompanha descobertas da juventude e um amor atravessado pela redemocratização brasileira.
Há cidades que parecem guardar versões inteiras de quem fomos. Em Alguém Que Vi de Passagem, seu primeiro romance literário, o jornalista e crítico de cinema Paulo Camargo revisita Curitiba de 1985 para contar uma história de juventude, memória e afeto em um Brasil que começava a sair da ditadura.
Publicado pela Editora Minimalismos, o livro é uma autoficção: parte de experiências do autor, mas transforma lembranças, cenas e personagens por meio da liberdade literária. A narrativa acompanha Paulo, um jovem de 19 anos, e João, cuja amizade se transforma em amor enquanto os dois tentam compreender a si mesmos e o mundo ao redor.
Uma história de amor em tempos de mudança
O romance se passa durante a transição democrática brasileira, período marcado por mudanças sociais e políticas, mas também pelo conservadorismo e pela homofobia. Nesse contexto, o afeto aparece como uma forma silenciosa de resistência e como espaço de descoberta para os protagonistas.
Mais do que reconstruir uma época, a obra se concentra nos sentimentos que permanecem: as dúvidas da juventude, os encontros que deixam marcas e a maneira como certas pessoas continuam presentes mesmo depois de seguirem outros caminhos.
“Neste livro, os fatos vividos, a memória e as minhas experiências sensíveis estão muito presentes. A narrativa foi construída de forma não linear e fragmentada, sendo um reflexo da minha experiência como cinéfilo e crítico de cinema, assim como a importância que dou aos elementos que uma cena pode revelar sem necessariamente precisar explicar”, comenta Paulo Camargo.
Memória reconstruída em fragmentos
A estrutura do livro acompanha essa ideia de lembrança incompleta. Em vez de apresentar o passado como uma sequência organizada, a narrativa se aproxima da forma como a memória costuma funcionar: por meio de pedaços, como uma música, um gesto, um rosto, uma despedida ou um lugar específico.
“Enquanto escrevia, fui percebendo que lembrar é sempre reconstruir. A memória não nos devolve exatamente aquilo que aconteceu. Talvez por isso, acima de tudo, este seja um livro sobre os encontros que nos transformam”, afirma o autor.
Com 104 páginas e formato de 14 por 21 centímetros, Alguém Que Vi de Passagem tem primeira edição publicada em São Paulo, em 2026. A pré-venda segue até 20 de setembro.
Sobre o autor
Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Paulo Camargo é crítico de cinema, cronista e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Também fundou e edita o portal cultural Escotilha, integra a Associação Brasileira de Críticos de Cinema e pesquisa cinema e representações de gênero.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



