Dia dos Primatas: a rotina da família de bugios do MS
Baru, Pequi e Bacuri são acompanhados por equipes que estudam seus deslocamentos e ajudam a proteger a fauna do corredor do Rio Sucuriú.
Neste 1º de setembro, Dia Internacional dos Primatas, uma família de bugios se destaca no trabalho de monitoramento contínuo realizado no corredor do Rio Sucuriú, em Inocência, Mato Grosso do Sul. Baru, Pequi e Bacuri — pai, mãe e filhote — são acompanhados pelas equipes técnicas durante as campanhas do Projeto Sucuriú.
Os nomes foram escolhidos pelo público em uma votação realizada em julho, após o registro do nascimento do filhote, com mais de 270 participantes entre trabalhadores da obra e membros da comunidade externa. Nos registros mais recentes, Bacuri aparece interagindo com os pais, e imagens mostram alguns irmãos brincando, permitindo observar a dinâmica familiar ao longo do tempo.
O que o monitoramento revela
O trabalho é conduzido pela Arauco em parceria com a Sauá Consultoria Ambiental. As equipes registram a presença dos animais, sua dieta, a composição dos grupos, nascimentos e o desenvolvimento dos filhotes, além de acompanhar os deslocamentos e as áreas utilizadas pelos primatas.
Ao todo, nove grupos foram identificados na área monitorada: seis de bugios e três de macacos-prego. O monitoramento combina observação direta em campo, armadilhas fotográficas e drones equipados com sensores termais. Em cerca de 25 horas de busca ativa, foram identificados dois grupos, enquanto os drones localizaram sete dos nove grupos conhecidos em aproximadamente 24 horas de voo.
“Esse é um trabalho construído ao longo do tempo. Não se trata apenas de saber se determinada espécie está presente, mas de reunir informações sobre os grupos, seus deslocamentos e as áreas que utilizam”, afirma Gonzalo Flores, especialista de Biodiversidade da Arauco.
Por que a conexão entre as árvores importa
Bugios e macacos-prego vivem e se deslocam predominantemente pelas árvores, dependendo da continuidade das copas para encontrar alimento, abrigo e acesso a outras áreas. Ao consumirem frutos e dispersarem sementes, esses primatas contribuem para a regeneração e diversidade da vegetação.
As obras previstas para a captação de água bruta e para o emissário de efluentes tratados podem criar descontinuidades na vegetação às margens do rio. Para mitigar esse impacto, estão previstas duas Passagens Superiores de Fauna, estruturas suspensas com aproximadamente 180 metros de vão livre, concebidas para restabelecer a conexão entre os trechos de vegetação.
Acompanhamento antes e depois das obras
A implantação das passagens está prevista para o primeiro semestre de 2027. Antes disso, o monitoramento registrará como os animais utilizam a paisagem. Posteriormente, as equipes continuarão observando se os primatas utilizam as passagens e se elas cumprem a função de reconectar os ambientes.
Estão previstas 20 campanhas ao longo de cinco anos, com quatro campanhas por ano. Nas próximas etapas, também está previsto o uso de GPS-telemetria em macacos-prego. O trabalho recebeu o Prêmio Destaques do Setor ABTCP 2026, na categoria Recursos Naturais e Bioeconomia.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



