Tabagismo pode ocultar transtornos mentais em quase metade dos fumantes

Estudo do InCor revela que avaliação convencional pode não identificar sintomas psiquiátricos em fumantes

Parar de fumar pode exigir mais do que força de vontade ou tratamento para a dependência de nicotina. Um estudo conduzido no Instituto do Coração (InCor), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, identificou sintomas ou diagnósticos de transtornos mentais em 32 dos 67 fumantes que, na avaliação inicial, não relatavam histórico psiquiátrico. O resultado corresponde a 47,8% desse grupo.

A descoberta ajuda a explicar por que algumas pessoas têm dificuldade para abandonar o cigarro, mesmo quando recebem acompanhamento específico. Segundo o estudo, sintomas de saúde mental podem não ser reconhecidos pelo próprio paciente ou nunca terem sido investigados de maneira estruturada.

O que a avaliação mais detalhada encontrou

Entre os 32 participantes identificados posteriormente, 14 apresentaram sintomas moderados a graves de depressão ou ansiedade, conforme as escalas de Hamilton utilizadas na pesquisa. Também foram observados casos relacionados a transtorno bipolar, síndrome do pânico, transtorno obsessivo-compulsivo, episódio hipomaníaco e fobia social.

O grupo fazia parte de um conjunto inicial de 798 fumantes avaliados. Depois da seleção de elegibilidade, 67 pessoas negaram ter histórico de transtornos mentais. A aplicação de uma avaliação psicológica e psiquiátrica estruturada revelou condições que não haviam aparecido na abordagem convencional.

Por que isso pode afetar o tratamento

Uma das hipóteses apontadas é que o cigarro proporcione alívio temporário para manifestações de ansiedade ou depressão. Nesse cenário, a nicotina pode acabar sendo usada involuntariamente como uma forma de automedicação, criando um ciclo que torna a interrupção do tabagismo mais difícil.

Isso não significa que toda pessoa fumante tenha um transtorno mental. O alerta do estudo é outro: perguntar apenas se existe ou já existiu um diagnóstico pode não ser suficiente para compreender a situação de cada paciente.

Tratamento integrado pode ampliar o cuidado

Os resultados defendem que programas para cessação do tabagismo considerem também uma busca ativa por sintomas psiquiátricos, com instrumentos clínicos estruturados. Quando necessário, o cuidado para parar de fumar pode ser associado ao acompanhamento em saúde mental.

Essa abordagem integrada pode favorecer um plano mais individualizado, além de ajudar a identificar condições que permaneceriam ocultas. A expectativa apresentada no estudo é contribuir para a adesão ao tratamento, reduzir recaídas e evitar que a retirada da nicotina agrave sintomas sem acompanhamento.

Para o InCor, olhar para a saúde mental durante o tratamento do tabagismo também amplia a prevenção de doenças cardiovasculares e outras complicações associadas ao cigarro. A pesquisa reforça, assim, que buscar ajuda para parar de fumar pode ser uma oportunidade de cuidar da saúde de forma mais completa.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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