Mulheres na liderança: transformar competência em influência
Encontro da Amcham debateu capital social, inteligência política e oratória para mulheres em cargos de liderança
Ser competente é fundamental para avançar na carreira, mas nem sempre basta para garantir que uma ideia seja ouvida, especialmente em conselhos, diretorias e outros espaços de decisão. Esse foi o foco do terceiro encontro anual do Grupo de Liderança Feminina da Amcham, realizado em parceria com a FutureBrand São Paulo.
O evento reuniu executivas de diversos setores para debater como mulheres podem transformar conhecimento técnico em influência, construindo relações, compreendendo as dinâmicas organizacionais e comunicando suas propostas com mais segurança.
Capital social como estratégia de carreira
Um dos temas centrais foi a importância de desenvolver redes de confiança e influência. Karen Fontana, sócia-diretora e CCSO da FutureBrand São Paulo, explicou que a política organizacional de influência consiste em entender o sistema de decisão: quem decide, quando, como e de que forma, para que as melhores escolhas avancem.
Ela destacou que, na prática, é preciso identificar quem influencia cada decisão, reconhecer aliados e compreender os interesses envolvidos antes de apresentar um projeto. Embora a competência técnica continue relevante, ela deixa de ser o único fator determinante em ambientes onde o cargo formal tem menos peso.
Sheynna Hakim, sócia da Moulis Advisory e primeira mulher a assumir o cargo de CEO da BNP Paribas Cardif no Brasil, ressaltou que redes de apoio podem se transformar em redes de influência quando as mulheres atuam como patrocinadoras ativas, recomendando e impulsionando umas às outras publicamente.
Mapear influenciadores para facilitar mudanças
Sheynna também enfatizou que transformações corporativas dependem da compreensão das relações que sustentam uma organização. Mapear influenciadores, promotores e detratores é fundamental para desenhar uma comunicação intencional e eficaz.
O debate abordou ainda a importância de construir pontes entre empresas, academia, governo e diferentes comunidades. Valéria Lapa, gerente executiva da Feira Preta, destacou a necessidade de escuta ativa e da responsabilidade compartilhada entre a organização que recebe e a profissional que assume um novo espaço de liderança.
Oratória sem depender da validação externa
A comunicação foi outro eixo do encontro. A escritora e especialista em oratória Raquel Polito falou sobre a ansiedade antecipatória que muitas mulheres enfrentam antes de apresentações importantes. Ela recomendou que as executivas gravem suas próprias apresentações para observar a comunicação com menos autocrítica.
Segundo Raquel, “um dos segredos mais importantes da comunicação é não depender da avaliação externa. Se eu não dependo da validação dos outros para me sentir segura, fico cada vez menos nervosa e o nível da minha apresentação sobe espontaneamente”.
Ao final, o encontro reforçou que ocupar espaços de decisão exige mais do que qualificações técnicas. Construir relações, entender as dinâmicas da influência e reconhecer os próprios pontos fortes na comunicação são passos essenciais para que mulheres transformem competência em participação efetiva nas decisões dos negócios.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



