Redes sociais e compras por impulso: como quebrar o ciclo
Estudo relaciona mais tempo nas redes a piores indicadores de bem-estar; especialistas explicam como evitar que o feed pese no orçamento.
O feed infinito pode custar mais do que alguns minutos de atenção. Um estudo conduzido pelo Instituto Cactus em parceria com a Atlas Intel, com mais de 3 mil participantes, apontou que as pessoas que passam três horas ou mais por dia nas redes sociais apresentam os piores indicadores de bem-estar emocional. Quase metade desse grupo relatou ter diagnóstico de ansiedade.
O levantamento não permite afirmar que o tempo de tela, sozinho, cause ansiedade. Mas ajuda a iluminar uma relação importante: a exposição contínua a viagens, produtos, corpos e estilos de vida idealizados pode afetar a forma como muitas pessoas se sentem — e também como consomem.
Da comparação à compra por impulso
Nas redes, a sensação de estar sempre ficando para trás pode ser reforçada por lançamentos, promessas de transformação rápida e a ideia de que uma vida melhor começa com um clique. A compra, nesses casos, nem sempre responde a uma necessidade prática. Pode funcionar como uma tentativa de aliviar insegurança, buscar validação ou sentir pertencimento.
Dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil mostram que 62% dos consumidores já fizeram compras não planejadas pela internet. Entre eles, 40% afirmam ter gastado além da conta, enquanto 35% contraíram dívidas ou atrasaram pagamentos por impulso.
O parcelamento pode tornar esse comportamento menos perceptível. Prestações pequenas parecem caber no orçamento, mas os compromissos se acumulam e comprometem a renda dos meses seguintes. Segundo o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa, 83,7 milhões de pessoas estavam inadimplentes em junho.
Como criar uma pausa antes de comprar
Para Marco Afonso, especialista em finanças da Simplic, o problema está no ciclo emocional ativado pela comparação. “A armadilha se instala quando a compra é usada como antídoto para uma comparação gerada pela rede. O consumidor busca aliviar um incômodo subjetivo, mas, nesse movimento, perde a referência do próprio orçamento. É uma reação de curto-circuito, não uma escolha consciente”, explica.
Algumas atitudes simples podem ajudar a recuperar clareza:
- acompanhar o orçamento com frequência;
- definir um limite para despesas não essenciais;
- esperar antes de finalizar uma compra vista no feed;
- perguntar se o gasto atende a uma necessidade real ou emocional;
- observar o valor total de compras parceladas, e não apenas a parcela.
A proposta não é abandonar as redes sociais nem abrir mão de todo consumo. É reconhecer quando o desejo está alinhado a um objetivo pessoal e quando nasce de uma comparação passageira. “Educação financeira não significa abrir mão de tudo, mas fazer escolhas com sobriedade e quebrar o ciclo gerado pela exposição constante”, afirma Afonso.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



