Bienal de Curitiba leva arte para além das salas do MON

Duas instalações ocupam o espaço de circulação do Museu Oscar Niemeyer e refletem sobre conexão, pertencimento, memória e exclusão.

Nem toda obra de arte está confinada a uma sala. Na 16ª Bienal Internacional de Curitiba, o espaço de passagem entre a Sala da África e a Sala 1 do Museu Oscar Niemeyer (MON) se transforma em um ponto de parada para duas instalações que exploram temas como conexão, memória, pertencimento e exclusão.

De um lado, Seascape: o que nos separa é também o que nos conecta, de Fabianna Gabas Kallas. Do outro, O pombo que escapa ao morcego, de Froiid. Apesar das linguagens distintas, ambas as obras dialogam sobre espaços que separam e conectam pessoas.

Um oceano feito de fragmentos

Fabianna Gabas Kallas, natural de Catanduva, São Paulo, apresenta uma paisagem marítima fragmentada em tons de azul. Criada em 2026, a obra em acrílica sobre tecido e madeira transforma o oceano em uma imagem física, histórica e simbólica.

O mar é retratado como uma fronteira natural que, ao longo dos séculos, também serviu como via para migrações, diásporas, circulação de culturas, conhecimentos e mercadorias. A composição em mosaico evidencia a coexistência entre individualidade e interdependência, pois cada fragmento é perceptível isoladamente, mas depende dos demais para formar o todo.

A instalação ainda dialoga com questões contemporâneas, como as redes de comunicação submarinas e os impactos globais da crise climática. A artista resume: “Somos, afinal, fragmentos de um mesmo oceano conectados pela mesma água.”

Quando o estádio começa a vibrar

Já a obra de Froiid, nascido em Belo Horizonte, parte do estádio Mineirão. Criada em 2025 e integrante da Coleção Instituto Bernardo Paz, a instalação reproduz o estádio em uma estrutura de madeira equipada com placas Arduino, servo-motores, sensores e outros componentes eletrônicos.

O sistema é ativado por mais de 50 horas de registros sonoros de torcidas organizadas, fazendo a estrutura se movimentar e traduzindo mecanicamente a energia de uma arquibancada lotada, mesmo na ausência da multidão.

A obra também aborda a antiga “geral”, setor dos estádios brasileiros historicamente ocupado pelas camadas populares e eliminado durante a modernização das arenas. Ao refletir sobre a gentrificação dos estádios e a comercialização do futebol, Froiid questiona quem pode ocupar esses espaços após suas transformações.

Serviço

A 16ª Bienal Internacional de Curitiba — LIMIARES — pode ser visitada até 15 de novembro de 2026, de terça a domingo, das 10h às 18h, no MON, localizado na Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico, Curitiba.

As duas obras estão expostas no espaço entre a Sala da África e a Sala 1. A entrada é gratuita às quartas-feiras e no último domingo de cada mês.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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