Primeira infância: por que cuidar das mães também importa

Dados sobre famílias acompanhadas pelo Instituto C mostram como a falta de rede de apoio afeta renda, trabalho e saúde mental das mães.

Quando se fala em primeira infância, o foco costuma estar nas necessidades das crianças: alimentação, creche, vacinação, estímulos e proteção. Mas existe uma pergunta essencial nessa conversa: quem sustenta o cuidado no dia a dia? Para Vera Carvalho Oliveira, fundadora do Instituto C, cuidar dos primeiros seis anos de vida também exige olhar para a sobrecarga, a renda e a saúde mental das mães.

Um levantamento realizado pelo Instituto C com 499 famílias acompanhadas pela organização identificou 172 com crianças de até seis anos. Nesse grupo, 47,1% das famílias são monoparentais. Entre essas famílias, 68,8% das mães trabalham de maneira informal. Segundo a instituição, os dados pertencem à sua própria base e não representam o conjunto da população brasileira, mas ajudam a ilustrar situações encontradas no atendimento cotidiano.

A sobrecarga que limita escolhas

O cuidado de uma criança pequena envolve disponibilidade para alimentar, proteger, brincar, conversar e acolher. No Brasil, essa responsabilidade ainda recai principalmente sobre as mulheres. Elas dedicam, em média, 9,8 horas semanais a mais do que os homens ao trabalho doméstico e de cuidado não remunerado.

O impacto aparece também na vida profissional. Um estudo da Organização Internacional do Trabalho aponta que metade das mães deixa o mercado de trabalho até dois anos depois do nascimento do primeiro filho. Sem uma rede de cuidado adequada, muitas mulheres podem acabar trabalhando menos, aceitando ocupações mais precárias, interrompendo os estudos ou adiando projetos pessoais.

Outro dado citado no artigo é o acesso à creche: em 2025, 41,7% das crianças brasileiras de zero a três anos frequentavam esse serviço, segundo o IBGE. Para as famílias que não conseguem contar com essa estrutura, a conciliação entre trabalho e maternidade se torna ainda mais difícil.

Políticas públicas precisam conversar

A proposta defendida por Vera é que a primeira infância seja tratada de forma integrada. Saúde, educação, assistência social, trabalho, renda e saúde mental não deveriam funcionar como áreas isoladas, porque as dificuldades das famílias também não aparecem separadamente.

“Uma criança não chega à escola separada da casa em que vive. Uma mãe não chega ao posto de saúde deixando para trás suas dificuldades de renda, moradia ou violência”, afirma a autora.

A reflexão também chama atenção para a identidade das mulheres. Além de mães, elas continuam tendo desejos, capacidades e planos próprios. Criar condições para que possam desenvolver autonomia e perspectivas de renda faz parte de uma rede de cuidado mais completa.

Como resume Vera Carvalho Oliveira: “Nenhuma política de primeira infância será plenamente efetiva enquanto quem cuida continuar cuidando sozinho.”

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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