Esclerose múltipla: sinais que merecem atenção nas mulheres

Mais comum entre mulheres, a doença pode causar sintomas neurológicos recorrentes; reconhecer os sinais favorece o diagnóstico precoce.

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica e autoimune que afeta o sistema nervoso central, incluindo o cérebro, a medula espinhal e os nervos ópticos. No Brasil, cerca de 40 mil pessoas vivem com a condição, que é mais comum em mulheres, surgindo geralmente entre os 20 e 40 anos.

Segundo a 3ª edição do Atlas da Esclerose Múltipla, publicado pela Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF), mais de 2,9 milhões de pessoas convivem com a doença no mundo. No país, a idade média do diagnóstico é de 34 anos, período em que muitos estão em plena vida profissional, social e reprodutiva.

Por que a doença é mais comum em mulheres?

A esclerose múltipla ocorre quando o sistema imunológico ataca a mielina, a camada que protege as fibras nervosas e permite a transmissão adequada dos impulsos nervosos. Essa agressão prejudica a comunicação entre o cérebro e o corpo, causando sintomas variados, como alterações na visão, força muscular, sensibilidade, equilíbrio, coordenação e fadiga.

A maior incidência em mulheres ainda não tem uma causa única definida. O neurologista Roger Reis explica que há uma interação complexa entre predisposição genética, resposta imunológica e fatores ambientais, além da influência hormonal, que pode contribuir para essa diferença.

Sintomas que merecem atenção

Os sinais iniciais da esclerose múltipla podem ser confundidos com problemas passageiros, mas devem ser avaliados especialmente quando persistem ou reaparecem. Entre eles estão:

  • Visão embaçada ou perda temporária da visão;
  • Formigamento persistente;
  • Perda de força nos braços ou pernas;
  • Alterações no equilíbrio e na coordenação;
  • Dificuldade para caminhar;
  • Fadiga intensa e desproporcional ao esforço.

Em muitos casos, os sintomas surgem em surtos que duram dias ou semanas e depois melhoram parcial ou totalmente, o que pode levar à falsa impressão de cura e atrasar a busca por atendimento especializado.

O neurologista alerta que alterações neurológicas que voltam, persistem ou não têm explicação clara precisam ser investigadas. O diagnóstico precoce é fundamental para iniciar o tratamento, reduzir surtos e retardar a progressão da doença.

Diagnóstico e qualidade de vida

O diagnóstico da esclerose múltipla depende da avaliação clínica e de exames específicos, como a ressonância magnética e, em alguns casos, a análise do líquido cefalorraquidiano. Não há um único exame que defina todos os casos, por isso a investigação considera a história do paciente, a evolução dos sintomas e os resultados complementares.

Embora ainda não exista cura, existem medicamentos que modificam o curso da doença, diminuem a atividade inflamatória e reduzem o acúmulo de lesões. O acompanhamento pode envolver uma equipe multiprofissional, incluindo neurologistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos e fonoaudiólogos, conforme as necessidades de cada paciente.

A esclerose múltipla não é contagiosa, não é exclusiva de pessoas idosas e o diagnóstico não significa necessariamente perda grave de autonomia. Com tratamento adequado e acompanhamento regular, muitas pessoas conseguem manter suas atividades, projetos e rotina.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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