Tabagismo: risco vai além do câncer de pulmão, alerta estudo
Dados brasileiros destacam impacto econômico, exposição passiva e uso de vapes entre jovens
O tabagismo permanece como um grave problema de saúde pública no Brasil, causando aproximadamente 174 mil mortes por ano, o que equivale a 477 óbitos diários. Além do impacto humano, o custo econômico anual estimado é de R$ 153,5 bilhões, incluindo R$ 67,2 bilhões em despesas médicas diretas e R$ 86,3 bilhões em custos indiretos, como perda de produtividade e cuidados informais.
Na véspera do Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, especialistas do Hospital Alemão Oswaldo Cruz reforçam que os riscos do tabagismo vão muito além do câncer de pulmão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabaco é fator de risco para mais de 20 tipos ou subtipos de câncer, além de doenças cardiovasculares e respiratórias.
Riscos ampliados e prevenção
O Dr. Carlos Henrique Teixeira, coordenador do Núcleo de Tumores Torácicos do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, destaca que o tabagismo aumenta o risco de tumores em diversos órgãos e que a cessação do hábito é benéfica em qualquer idade, com maiores ganhos quanto mais cedo for interrompido.
Exposição passiva e impacto em mulheres
Uma revisão publicada em 2026 no JCO Global Oncology chama atenção para os riscos da exposição à fumaça do tabaco entre não fumantes. Em 2019, cerca de 12,7 milhões de adultos não fumantes no Brasil estavam expostos à fumaça, sendo a maioria mulheres. O estudo também aponta que 63,2% das mulheres com câncer de pulmão naquele ano nunca haviam fumado, evidenciando a importância de fatores como tabagismo passivo e exposições ambientais e ocupacionais.
O oncologista reforça que a fumaça do tabaco prejudica não apenas quem fuma, e que a prevenção deve incluir estratégias para reduzir a exposição, inclusive em ambientes domésticos.
Uso de dispositivos eletrônicos entre jovens
O uso de dispositivos eletrônicos para fumar, como vapes, também é motivo de preocupação. Dados do Vigitel 2024 indicam que 10,1% dos adultos entre 18 e 24 anos nas capitais brasileiras e no Distrito Federal relatam uso diário ou ocasional desses produtos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mantém a proibição da fabricação, importação, comercialização, distribuição e propaganda desses dispositivos no Brasil.
A pneumologista Dra. Fernanda Baccelli alerta que a ausência de combustão não elimina os riscos, pois esses aparelhos podem conter nicotina e outras substâncias tóxicas, além de apresentarem potencial de dependência, especialmente entre os jovens.
Dependência e estratégias para cessação
O tabagismo é reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência da nicotina. O Teste de Fagerström é uma ferramenta utilizada para avaliar o grau dessa dependência, considerando fatores como o número de cigarros consumidos e o tempo até o primeiro cigarro do dia.
Essa avaliação auxilia na definição de estratégias para parar de fumar, que podem incluir acompanhamento profissional, mudanças comportamentais e, em alguns casos, tratamento medicamentoso. A busca por ajuda especializada é fundamental, especialmente diante de sintomas intensos de abstinência ou recaídas frequentes.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



