Pesquisa de mercado ganha espaço na era da inteligência artificial
Evento em Porto Alegre reuniu empresas do Sul para discutir como dados e escuta ajudam a reduzir achismos nas decisões de negócio.
Em um cenário marcado pelo avanço das inteligências artificiais e pelo excesso de dados disponíveis, transformar informação em decisões consistentes tornou-se um desafio para as empresas. Foi nesse contexto que a Palco Inteligência de Negócios promoveu, na quinta-feira (27), a primeira edição do Marketing Research Day, o primeiro evento do Sul do Brasil dedicado exclusivamente à pesquisa de mercado.
Realizado na Arena CPMC da Tecnopuc, em Porto Alegre, o encontro reuniu profissionais das empresas Fruki Bebidas, Usaflex, Able, Mais Que Isso e Share para debater como dados, método e escuta qualificada podem apoiar decisões em áreas como posicionamento, produto, comunicação, jornada do cliente e estratégia.
Pesquisa como ferramenta essencial para decisões
Juliana Saboia, sócia-fundadora da Palco e mestre em Administração, destacou que, apesar da crescente importância da pesquisa, ela ainda ocupa pouco espaço em eventos empresariais. “Fala-se muito de dados, mas pouco sobre como formular boas perguntas, validar hipóteses e transformar informação em decisão. O MRD nasce para quebrar essa bolha e mostrar que pesquisa não é um tema distante ou apenas técnico; é uma prática essencial para empresas que precisam decidir melhor”, afirmou.
A programação iniciou com a palestra “Menos Achismo, Mais Evidência: Como a pesquisa fortalece a tomada de decisão”, conduzida por Juliana Saboia e Mariana da Rosa, sócia-fundadora da Palco e doutora em Administração. A apresentação ressaltou a pesquisa como uma ferramenta para organizar perguntas, validar hipóteses e distinguir percepções internas de evidências reais.
Rigor metodológico e aplicação prática
Mariana da Rosa enfatizou a importância do rigor metodológico, destacando que o acesso a muitos dados não garante decisões acertadas sem a avaliação da origem, qualidade e representatividade das informações. “É necessário saber qual população está sendo analisada, qual amostragem foi usada, como os dados foram coletados e se eles representam de fato o contexto que a empresa quer compreender”, explicou.
O painel “Da Evidência à Estratégia: Como empresas transformam pesquisa em decisões de mercado” contou com a participação de Manuela Cardona, diretora de Marketing e Produto da Usaflex; Patrícia Rodrigues, coordenadora de Marketing da Fruki Bebidas; e Renata Coutinho, fundadora da Mais Que Isso, com mediação de Rafael Martins, CEO e cofundador do Share.
Manuela Cardona ressaltou que a pesquisa responde a dores concretas do negócio e que a Usaflex tem ampliado seus investimentos em projetos ligados ao reposicionamento de marca, desenvolvimento de produto e estruturação de personas. “Mais importante do que escolher um método é saber qual pergunta se quer responder”, afirmou.
Inteligência artificial e a importância da escuta qualificada
O evento também abordou a relação entre inteligência artificial, criatividade, cultura e pesquisa de mercado. Rafael Martins destacou que, embora a IA tenha acelerado a produção de conteúdos e soluções, ela pode tornar muitas entregas semelhantes. “A pesquisa entra justamente para preencher essa lacuna: entender quem são as pessoas, o que elas consomem, o que buscam e como querem se relacionar com as marcas”, disse.
Segundo Martins, a inteligência artificial pode apoiar processos operacionais e liberar tempo para a escuta qualificada, mas não substitui a necessidade de conversas genuínas para compreender as expectativas dos consumidores.
Dados da jornada do cliente como inteligência para o negócio
O encerramento do evento foi marcado pelo painel “Dados que Movem Decisões: Como transformar dados da jornada do cliente em inteligência para o negócio”, conduzido por Sthefany Barbosa e Taíse Bazílio, sócias-diretoras da Able. A discussão destacou como dados de atendimento, CRM, pesquisas de satisfação e plataformas digitais podem ser transformados em insumos estratégicos para melhorar a jornada do cliente e qualificar decisões empresariais.
Sthefany Barbosa ressaltou a importância da inteligência na operacionalização da coleta de dados, afirmando que a estratégia deve estar presente desde o planejamento até a execução para garantir a consistência dos dados e a geração de decisões melhores.
Valorização do conhecimento produzido no Sul
Além de discutir a pesquisa como ferramenta decisiva, o Marketing Research Day teve como objetivo valorizar a produção de conhecimento e a capacidade técnica das empresas do Sul do Brasil, reunindo profissionais que vivenciam a pesquisa na prática em diferentes contextos de mercado.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



