Estudo revela viés contra mulheres obesas no mercado de trabalho
Pesquisa americana associa perda de peso à maior empregabilidade, mas especialistas alertam para o impacto do estigma
Um estudo recente dos Estados Unidos reacende o debate sobre a chamada “penalidade da obesidade” no mercado de trabalho feminino. A pesquisa, conduzida pela economista Rebecca Diamond e publicada pelo National Bureau of Economic Research (NBER), acompanhou mulheres que começaram a usar medicamentos GLP-1 para perda de peso e comparou seus resultados com mulheres semelhantes que ainda não haviam iniciado o tratamento.
Entre as participantes que estavam fora do mercado de trabalho, a empregabilidade aumentou 27 pontos percentuais após seis trimestres. Além disso, entre as mulheres solteiras, houve um aumento de 29 pontos percentuais na probabilidade de casamento. No entanto, para aquelas que já estavam empregadas, o estudo não identificou melhora na mobilidade profissional.
Estigma e percepção social
Brunna Boaventura, nutricionista e pesquisadora com pós-doutorado em obesidade vinculado à Harvard Medical School, destaca que o resultado evidencia o impacto do estigma associado ao peso corporal. Segundo ela, a obesidade é uma condição multifatorial, mas socialmente ainda é associada a julgamentos negativos como falta de disciplina ou autocontrole.
“Se a competência não necessariamente mudou, por que a oportunidade profissional mudou?”, questiona Brunna, ressaltando que o estudo sugere que o preconceito pode se manifestar especialmente em momentos de estabelecimento de novas relações, como entrevistas de emprego, quando avaliações subjetivas ganham peso.
Viés nos processos seletivos
A psicóloga especializada em Recursos Humanos Soraia Pena observa que o viés contra pessoas com obesidade pode estar presente de forma sutil em critérios subjetivos, como “boa apresentação” ou “imagem”, que influenciam decisões que deveriam se basear em competência e capacidade.
Ela recomenda a adoção de entrevistas estruturadas, definição prévia de critérios de competência e decisões compartilhadas entre avaliadores para reduzir a influência desses vieses inconscientes.
Desafios para a diversidade corporativa
O debate sobre o peso corporal se insere em uma discussão mais ampla sobre diversidade nas organizações. O relatório Women in the Workplace 2025, da McKinsey em parceria com a LeanIn.Org, analisou dados de 124 empresas e cerca de 10 mil profissionais, revelando que, embora a maioria das empresas declare compromisso com a inclusão, apenas metade prioriza o avanço profissional das mulheres.
Roberto Gonzalez, especialista em ESG, alerta para o risco do “diversity washing”, quando compromissos públicos não se traduzem em práticas efetivas, especialmente em relação a características físicas como o peso, que geralmente não são monitoradas nas políticas de diversidade.
Brunna Boaventura reforça que a discussão não deve levar à conclusão de que pessoas com obesidade precisam emagrecer para ter sucesso profissional. O foco deve estar em combater o estigma e garantir que oportunidades sejam baseadas na competência, não na aparência.
Ela também destaca que medicamentos análogos de GLP-1 representam avanços importantes no tratamento da obesidade, mas devem ser usados com indicação médica adequada, sem se tornarem uma exigência estética ou profissional.
Para Soraia Pena, as empresas têm a responsabilidade de garantir que processos seletivos e avaliações de desempenho sejam justos e livres de preconceitos, assegurando condições equivalentes para que todas as pessoas possam entrar, permanecer e crescer nas organizações.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



