Estomatite: por que surgem feridas dolorosas na boca
Inflamação pode atingir língua, gengivas e lábios; veja causas, sinais de alerta e cuidados para evitar o ressecamento da mucosa.
Apesar do nome, a estomatite não tem relação com o estômago. Trata-se de uma inflamação da mucosa da boca, que pode atingir a língua, as gengivas, a parte interna das bochechas, o céu da boca e os lábios. Quando aparece, pode tornar tarefas simples — como comer, beber e falar — bastante desconfortáveis.
De acordo com a otorrinolaringologista Dra. Cleonice Hirata, do Hospital Paulista, estomatite não é o nome de uma doença específica, mas de um processo inflamatório que pode ter diferentes causas.
“A estomatite pode ser causada por infecções virais, fúngicas e, mais raramente, bacterianas, além de traumas provocados por mordidas, aparelhos ortodônticos ou próteses mal adaptadas, assim como alergias, doenças autoimunes, tumores, deficiências nutricionais e até reações a determinados medicamentos”, explica a especialista.
Estomatite não é a mesma coisa que afta
Um erro comum é considerar qualquer ferida na boca como estomatite — ou pensar que todo caso se resume a uma afta. Em geral, a afta aparece como uma pequena úlcera isolada, arredondada e bem delimitada.
Já a estomatite costuma envolver uma área mais extensa da mucosa. O quadro pode provocar várias lesões, vermelhidão, inchaço, ardência e dor intensa. Quando a origem é viral, também podem ocorrer febre e aumento dos gânglios do pescoço.
O inverno causa estomatite?
O frio, por si só, não provoca a inflamação. Porém, o inverno reúne fatores que podem favorecer o aparecimento ou o agravamento do problema, como maior circulação de vírus respiratórios, permanência em ambientes fechados, clima seco e menor ingestão de água.
Infecções, estresse, noites mal dormidas e alimentação inadequada também podem contribuir para uma queda temporária da imunidade. “Não existe uma relação direta entre o frio e a estomatite. O inverno cria um cenário que favorece alguns tipos da doença, principalmente aqueles relacionados a infecções virais e ao ressecamento da mucosa”, destaca a médica.
Quem precisa de atenção especial?
Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, como diabetes, câncer e HIV, podem apresentar maior predisposição. O risco também pode ser maior para quem usa próteses dentárias, tem boca seca ou passa por tratamentos com imunossupressores, quimioterapia ou radioterapia.
Como prevenir e quando buscar ajuda
Alguns cuidados ajudam a reduzir o risco:
- Manter a higiene bucal, com escovação adequada e uso diário de fio dental;
- Beber água regularmente;
- Ter uma alimentação equilibrada, com vitaminas e minerais;
- Corrigir próteses ou aparelhos que causem atrito;
- Evitar alimentos irritantes durante períodos de sensibilidade;
- Não compartilhar objetos pessoais quando houver suspeita de infecção viral.
Feridas que não cicatrizam em até 14 dias, são muito grandes, numerosas ou dolorosas, voltam repetidamente ou vêm acompanhadas de febre alta, dificuldade para engolir ou sinais de desidratação precisam de avaliação. Sangramento frequente, endurecimento e mudanças de cor ou aspecto também são sinais de alerta. Nesses casos, a consulta é importante para identificar a causa e descartar outras doenças da boca.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



