Voluntariado: 400 pessoas dedicam horas à escuta

No SOS Preces, voluntários se revezam em plantões para acolher gratuitamente pessoas em sofrimento, solidão ou angústia.

Em meio à rotina de trabalho, família e compromissos, cerca de 400 pessoas reservam três horas por semana para ouvir desconhecidos em momentos de sofrimento, solidão ou angústia. Esse é o trabalho realizado pelos voluntários do SOS Preces, iniciativa criada em Belo Horizonte (MG) que mantém uma rede gratuita de escuta 24 horas por dia.

Os plantonistas se revezam semanal ou quinzenalmente para garantir que pessoas de diferentes partes do Brasil encontrem alguém disposto a acolhê-las sem julgamentos. A atuação ganha destaque em 28 de agosto, Dia Nacional do Voluntariado, mas a demanda pelo serviço acontece durante todo o ano.

A maior procura acontece à tarde e à noite

Os dados de 2025 ajudam a dimensionar a necessidade de uma escuta disponível. Ao todo, foram registrados 28.728 atendimentos. Desse total, 16.083 ligações ocorreram entre 12h e 17h59, faixa que concentrou a maior demanda.

Quando somadas às chamadas feitas durante a noite, essas ligações representaram cerca de 65% dos atendimentos do ano. Para a instituição, os números mostram que o sofrimento não segue horário comercial e pode aparecer durante o expediente, no fim do dia ou quando a sensação de isolamento se intensifica.

“As pessoas não escolhem um horário para sofrer. Muitas ligam durante a tarde, em meio às dificuldades do trabalho, da família ou da solidão. O voluntário está ali para oferecer presença, respeito e esperança, nunca julgamentos”, afirma Kátia Moraes Varella Alves, presidente do SOS Preces.

Voluntariado exige preparo e compromisso

Ser voluntário na rede vai além de atender uma ligação. Para integrar a equipe, é necessário ter pelo menos 21 anos, participar de um curso de formação, cumprir estágio supervisionado e manter um processo permanente de estudos e aprimoramento.

Também é preciso ter disponibilidade para um plantão semanal de três horas e para reuniões. Entre os princípios da atuação estão o desenvolvimento da empatia, o acolhimento dos sentimentos de quem procura o serviço, a preservação do sigilo e o respeito aos limites do trabalho.

Escuta não substitui atendimento clínico

O SOS Preces oferece acolhimento, mas não realiza diagnósticos nem substitui acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. A proposta é disponibilizar uma escuta ecumênica, sem exigir religião ou vínculo religioso de quem busca ajuda.

Fundada em 1º de maio de 1982, em Belo Horizonte, a instituição mantém o atendimento por meio de uma estrutura unificada de telefonia digital, que distribui as ligações entre diferentes postos. Além da equipe fixa, há plantonistas de apoio para ajudar a garantir a continuidade do serviço.

“Ser voluntário é colocar o próprio tempo à disposição de outra pessoa. É uma escolha que exige compromisso, mas que também mostra como uma atitude individual pode construir uma rede de cuidado para muitas pessoas”, conclui a presidente.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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