Violência e restrições agravam crise de saúde em Hebron, Cisjordânia
Médicos Sem Fronteiras amplia atendimento médico e psicológico diante de desafios crescentes
A violência crescente e as restrições de circulação dificultam o acesso a serviços de saúde em Hebron, na Cisjordânia. Segundo Médicos Sem Fronteiras (MSF), a população local enfrenta obstáculos para obter cuidados médicos básicos e apoio psicológico, em meio a ataques frequentes, insegurança e limitações no sistema de saúde.
Entre janeiro e julho de 2026, as equipes da MSF realizaram 7.595 consultas ambulatoriais em Hebron, das quais 1.910 foram relacionadas à saúde sexual e reprodutiva, área especialmente afetada pela dificuldade de deslocamento até unidades de atendimento.
Demanda crescente por saúde mental
A procura por atendimento psicológico aumentou nos últimos meses. Desde março, entre 17% e 38% das consultas de saúde mental realizadas pela MSF foram motivadas por episódios de violência intencional, contra índices de 13% ou menos no início do ano.
Durante o mesmo período, as equipes conduziram mais de 1.930 consultas individuais de saúde mental e 436 sessões de terapia em grupo, por meio de clínicas móveis e atendimento fixo.
Ismail Ibrahim, paciente de uma área próxima a Hebron, relatou que “todos os dias a situação piora”, mencionando ataques à comunidade e o roubo de 200 ovelhas durante uma invasão noturna.
Ampliação das clínicas móveis e respostas rápidas
Para ampliar o atendimento, a MSF aumentou de cinco para oito o número de clínicas móveis na região. Em junho e julho, foram realizadas 1.450 e 1.397 consultas ambulatoriais, respectivamente, os maiores números mensais de 2026, representando um aumento de 26% em relação aos meses anteriores.
Os atendimentos mais frequentes envolveram condições ginecológicas, doenças não transmissíveis, infecções respiratórias superiores e conjuntivite. A MSF também recebeu quase 170 alertas sobre demolições, ferimentos e danos a sistemas de água e saneamento, respondendo com 27 ações rápidas que incluíram apoio psicológico e distribuição de itens essenciais, como colchões e lonas.
Desafios no acesso e falta de recursos
O Dr. Mohammad Haroub, coordenador médico adjunto da MSF em Hebron, destacou que a demanda aumentou porque muitas pessoas não conseguem pagar por atendimento privado. Além disso, a escassez de profissionais e medicamentos no sistema público agrava a situação.
“Alguns pacientes nos dizem que estão sem medicamentos há vários dias”, afirmou Haroub. Postos de controle, bloqueios de estradas e a insegurança dificultam ainda mais o acesso aos serviços de saúde. Para pacientes com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, a interrupção do tratamento representa riscos significativos.
A MSF teve parte de suas atividades reduzidas no primeiro trimestre de 2026 devido ao cancelamento de registros por autoridades israelenses, o que limitou o acesso a áreas como o bairro militarizado H2 e vilarejos das colinas de Masafer Yatta.
Apelo por proteção e acesso humanitário
Elisa Tamimi, especialista em assuntos humanitários da MSF em Hebron, ressaltou a incerteza diária enfrentada pelas equipes, com áreas fechadas por períodos que variam de um dia a uma semana, impactando a vida da população local.
Joan Tubau, coordenador-geral da MSF na Palestina, afirmou que as autoridades israelenses devem interromper medidas que forçam deslocamentos, garantir acesso irrestrito a cuidados de saúde e assistência humanitária, proteger civis e cumprir o direito internacional.
Aisha*, moradora de um vilarejo próximo a Hebron, expressou o desejo de que a vida volte ao normal, com acesso à saúde, educação e necessidades básicas, e que as pessoas possam viver com dignidade e sem medo.
*Nome alterado para proteger a identidade.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



