Instagram testa limite a conteúdos de dieta para adolescentes
Ferramenta da Meta busca reduzir a sequência de posts sobre corpo, nutrição e exercícios e reacende o debate sobre saúde mental na adolescência.
O Instagram começou a testar uma ferramenta que limita a sequência de publicações direcionadas a adolescentes sobre temas como nutrição, musculação e ansiedade. A medida visa reduzir a exposição repetitiva a conteúdos que podem reforçar comparações e inseguranças relacionadas ao corpo durante a adolescência.
Essa mudança integra a ampliação global das configurações para contas de adolescentes nas plataformas Instagram, Facebook e Messenger. Segundo a Meta, publicações isoladas sobre esses assuntos podem ser úteis, mas a repetição constante de um mesmo tema requer atenção.
Quando o feed vira um padrão estreito
Um vídeo sobre alimentação pode ser seguido por uma rotina de exercícios, uma transformação corporal e outras imagens com o mesmo foco. Aos poucos, o que parecia um interesse passa a dominar as recomendações, dando a impressão de que existe uma única forma aceitável de corpo, beleza ou autocuidado.
Para a psicóloga Maria Klien, a adolescência é um período de construção da identidade e busca por pertencimento. “Quando o adolescente recebe continuamente imagens de um mesmo padrão físico, essa repetição pode parecer uma regra”, explica.
A especialista destaca que a influência das redes sociais varia conforme a história familiar, autoestima, relações sociais e condições emocionais de cada jovem. Um conteúdo isolado dificilmente explica um sofrimento emocional ou transtorno alimentar, mas a repetição pode ganhar peso quando encontra inseguranças já existentes.
O que famílias e escolas podem observar
A ferramenta pode ampliar a diversidade de interesses apresentados aos adolescentes, mas não substitui o acompanhamento próximo. Maria Klien ressalta que famílias, escolas e profissionais devem observar não apenas o tempo de uso das redes, mas também como o jovem se sente após navegar por elas.
Em casa, a conversa tende a ser mais produtiva quando não começa como interrogatório. Perguntar sobre os perfis acompanhados, os assuntos que despertam interesse e as sensações após o uso pode abrir espaço para falar sobre comparação, vergonha e autoestima.
Alguns sinais merecem atenção, como:
- preocupação constante com peso ou aparência;
- restrições alimentares sem orientação profissional;
- culpa após comer;
- afastamento social ou queda na autoestima;
- prática excessiva de exercícios.
Esses sinais não confirmam, isoladamente, a existência de um transtorno, mas podem indicar sofrimento e a necessidade de avaliação especializada. Para a psicóloga, limitar a repetição de determinados conteúdos é apenas parte da prevenção: o cuidado também depende de escuta, acolhimento e espaço para que o adolescente possa expressar o que sente.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



