Doença de Creutzfeldt-Jakob: entenda a rara enfermidade diagnosticada em Lito Sousa
Após diagnóstico do influenciador, médica intensivista Amanda Meirelles explica a doença dos príons e os cuidados atuais
O influenciador e especialista em aviação Lito Sousa, de 59 anos, foi diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma enfermidade rara, neurodegenerativa, progressiva e fatal. A confirmação do diagnóstico foi feita pela esposa de Lito, Mila, em um vídeo divulgado nas redes sociais na sexta-feira (21). Segundo ela, o diagnóstico levou tempo para ser fechado e, nas últimas semanas, Lito apresentou uma perda significativa da capacidade motora, embora permaneça lúcido e consiga se comunicar com a família.
O que é a doença de Creutzfeldt-Jakob?
A DCJ está associada aos príons, proteínas que existem naturalmente no organismo, mas que podem assumir uma conformação anormal. Essa alteração faz com que essas proteínas induzam outras proteínas cerebrais a mudarem de formato, desencadeando uma reação em cadeia que causa lesões nos neurônios e perda progressiva das funções cerebrais.
A médica intensivista Amanda Meirelles explica: “Essa é uma proteína que consegue mudar de formato e fazer com que outras proteínas do cérebro comecem a mudar também, sem vírus, sem bactéria, sem precisar de DNA ou RNA. Isso se chama príon.” Ela compara o processo a uma peça que dobra de forma errada e induz as próximas a fazerem o mesmo, acumulando-se e lesionando os neurônios.
Por que a evolução da DCJ é tão rápida?
Um dos aspectos que mais chama atenção na DCJ é a velocidade da progressão da doença. Enquanto muitas doenças neurodegenerativas evoluem ao longo de anos, a DCJ pode progredir em semanas ou meses, segundo Amanda Meirelles.
A doença é extremamente rara, ocorrendo em cerca de uma a duas pessoas por milhão. Cerca de 85% dos casos surgem de forma esporádica, sem causa identificável. A descoberta dos príons foi um marco na medicina, rendendo o Prêmio Nobel de Medicina em 1997.
Tratamento e cuidados atuais
Atualmente, não existe tratamento capaz de interromper ou reverter a DCJ. No entanto, isso não significa ausência de cuidados. Amanda Meirelles destaca que, mesmo sem cura, a medicina oferece controle dos sintomas, conforto, suporte e presença para preservar a qualidade de vida do paciente.
“Quando a medicina ainda não tem cura, ela não deixa de ter cuidado. Controlar sintomas, oferecer conforto, suporte, presença e preservar o que for possível também é medicina”, afirma a médica, com base em sua experiência em unidades de terapia intensiva.
Pesquisas continuam sendo fundamentais para ampliar o conhecimento sobre as doenças priônicas e buscar novas possibilidades terapêuticas no futuro.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



