Compliance assume papel estratégico nas empresas em debate na ExpoCompliance 2026
Evento em São Paulo destaca cultura organizacional, riscos regulatórios e governança em privacidade
O compliance, tradicionalmente associado a controles internos e conformidade, vem ganhando espaço nas decisões estratégicas das empresas. Esse movimento reflete a crescente exposição a riscos regulatórios, a pressão por maior transparência e a necessidade de incorporar ética e integridade à cultura organizacional.
Entre os dias 18 e 20 de agosto de 2026, a ExpoCompliance, realizada em São Paulo, reuniu especialistas em compliance, governança, gestão de riscos, auditoria, ESG e proteção de dados para debater essas transformações. Um dos destaques do evento foi o avanço do compliance comportamental, que enfatiza o papel da cultura e da liderança na efetividade dos programas de integridade.
O papel da cultura organizacional
Não basta que as empresas tenham códigos de conduta e políticas bem estruturadas; é fundamental que esses princípios sejam incorporados no dia a dia das pessoas e das lideranças. Eduardo Moura, sócio e COO do Pironti+Moura, destacou que “o compliance precisa estar conectado à forma como as decisões são tomadas dentro da organização. Não basta ter uma política bem estruturada se, diante de uma situação concreta, as pessoas não souberem como agir ou se a liderança transmite uma mensagem diferente daquela prevista nas normas. A cultura é o que transforma o compliance de um conjunto de regras em uma prática efetiva”.
Um levantamento da KPMG com 276 companhias abertas brasileiras identificou 7.092 fatores de risco divulgados, sendo que 96% das empresas mencionaram riscos regulatórios, evidenciando a complexidade do cenário atual.
Compliance integrado à estratégia empresarial
Segundo Eduardo Moura, a participação do compliance desde o início das decisões estratégicas permite que as organizações avaliem melhor os riscos que estão dispostas a assumir, evitando uma atuação apenas reativa. Essa abordagem foi tema de painéis e workshops na ExpoCompliance, nos quais Moura participou, abordando governança corporativa e compliance comportamental.
Governança em privacidade e proteção de dados
Outro tema central do evento foi a governança em privacidade. Com a vigência da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o aumento da fiscalização pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), as empresas precisam estruturar permanentemente a gestão de riscos e a responsabilização relacionadas à proteção de dados pessoais.
Em 2025, a ANPD instaurou 81 processos de fiscalização, conforme o Relatório Integrado de Gestão da autoridade. Rodrigo Pironti, sócio-fundador e CEO do Pironti+Moura, ressaltou que “privacidade e proteção de dados já não podem ser tratadas apenas sob as perspectivas tecnológica ou jurídica. Elas precisam estar incorporadas à estrutura de governança das organizações”.
O evento reforçou a tendência de integração entre diferentes dimensões do compliance, como reputação, regulação, segurança, governança e impacto financeiro, para que as decisões empresariais sejam mais conscientes e alinhadas com a estratégia corporativa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



