Canetas emagrecedoras transformam o mercado plus size e o guarda-roupa feminino
Mudanças rápidas nas medidas aceleram a renovação do armário e desafiam o varejo de moda
As chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos que auxiliam na perda de peso, estão provocando efeitos que vão além da saúde, influenciando diretamente o mercado de moda. Com mudanças rápidas nas medidas corporais, muitas consumidoras renovam o guarda-roupa com maior frequência, especialmente no segmento plus size, o que tem chamado a atenção de varejistas e marcas.
O fenômeno não se resume à compra de roupas menores, mas envolve uma transição acelerada entre diferentes tamanhos. Especialistas do setor sugerem que muitas mulheres estão atravessando várias numerações em um curto espaço de tempo, criando um “guarda-roupa de transição”. Nesse contexto, peças que antes permaneceriam no armário por anos são substituídas em poucos meses.
Dados indicam mudanças na grade de tamanhos
Em junho de 2023, Cathyelle Schroeder, CMO da Riachuelo, revelou que a varejista identificou uma redução média de 5% na grade de modelagem e de 4% em categorias como camisetas. Segundo ela, os tamanhos PP e P começaram a faltar nas lojas, enquanto os tamanhos G e GG passaram a apresentar sobra, um comportamento antes não observado.
A Riachuelo também projeta uma retração de quase 6% no mercado de moda plus size para 2026, um movimento que contrasta com a expansão recente do segmento. De acordo com o IEMI, a produção de peças plus size cresceu 12,7% em 2021, alcançando 188 milhões de unidades, enquanto o mercado geral de vestuário avançou 9,6% no mesmo período.
Dados da Associação Brasil Plus Size indicam que o setor movimentou R$ 9,6 bilhões em 2021, acumulando um crescimento de 75,4% em dez anos, com projeção de atingir R$ 15 bilhões até 2027.
Moda praia evidencia a mudança no encaixe das peças
No segmento de moda praia, a alteração nas medidas é ainda mais perceptível. Biquínis e maiôs dependem diretamente da proporção, cobertura e sustentação, o que faz com que uma peça possa deixar de servir adequadamente antes mesmo do fim da temporada.
Segundo levantamento interno da Arsie, marca especializada em moda praia, as vendas de peças plus size caíram 40%. Embora esse dado não represente todo o mercado, indica uma mudança na distribuição da demanda dentro da categoria.
Karine Strapazzon, especialista em modelagem e fundadora da Arsie, explica que a consumidora pode não estar deixando de comprar moda, mas alterando a frequência e os tamanhos adquiridos. “Quando uma pessoa muda de manequim em um intervalo curto, ela não necessariamente deixa de consumir moda. Muitas vezes, ela passa a consumir de outra forma, transitando por diferentes pontos da grade. Uma peça que poderia permanecer no guarda-roupa durante anos pode ser substituída em poucos meses. Para o varejo, isso muda a frequência de compra e exige uma leitura diferente de estoque, grade e comportamento do consumidor”, afirma.
Dados da Riachuelo indicam que 80% das pessoas que perdem uma quantidade significativa de peso sentem a necessidade de renovar o guarda-roupa, e 55% já realizaram compras com esse objetivo. Esses números ajudam a dimensionar a mudança de comportamento, embora não expliquem todas as oscilações do mercado.
Para as marcas, o desafio é interpretar essas movimentações sem concluir que um público desapareceu. A demanda pode estar circulando mais rapidamente entre os tamanhos, o que exige ajustes em estoque, modelagem, variedade e planejamento de compras.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



