Split payment: o que muda para as empresas em 2026
Novo modelo integra pagamentos e tributos, exigindo revisão tecnológica nas empresas brasileiras
O split payment, mecanismo previsto na Reforma Tributária, está transformando a forma como as empresas brasileiras lidam com o pagamento e o recolhimento de impostos. Com a divulgação, em junho de 2026, da documentação técnica da Plataforma Pública do Split Payment pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS, as organizações passaram a ter diretrizes claras para adaptar seus sistemas e processos financeiros.
Essa nova lógica determina que o recolhimento do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) ocorra no momento da liquidação financeira das operações, aproximando o fluxo financeiro da operação fiscal. Assim, o meio de pagamento deixa de ser apenas um canal para circulação de dinheiro e passa a integrar informações fiscais essenciais.
Impactos na rotina das empresas
Desde 1º de janeiro de 2026, as empresas já enfrentam novas obrigações relacionadas à emissão de documentos fiscais eletrônicos com destaque para a CBS e o IBS. Agora, a adaptação se estende à infraestrutura tecnológica que registra vendas, processa pagamentos, recebe valores e contabiliza as operações.
Orlando Ovigli, sócio da SH Squads, destaca que o split payment altera profundamente a relação entre pagamento e tributação. Segundo ele, "o meio de pagamento deixa de ser apenas o canal pelo qual o dinheiro circula e passa a fazer parte de uma engrenagem fiscal e financeira muito mais integrada".
Essa integração exige que diversos sistemas conversem entre si com consistência, incluindo:
- sistemas de gestão empresarial (ERPs);
- emissão de documentos fiscais;
- gateways, adquirentes e subadquirentes;
- contas a receber e conciliação;
- bancos, fluxo de caixa e contabilidade.
Desafios e oportunidades para o varejo
Empresas que operam em múltiplos canais, como lojas físicas, e-commerce e marketplaces, já enfrentam desafios na conciliação financeira. Com o split payment, essa conexão ganha uma camada tributária adicional, aumentando a complexidade.
Falhas na comunicação entre sistemas podem gerar divergências de valores, retrabalho e dificuldades na conferência dos recebimentos. Por outro lado, uma arquitetura integrada pode reduzir a necessidade de conferências manuais, melhorar o controle do fluxo de caixa e facilitar a identificação de inconsistências.
Preparação para o novo modelo
A adaptação não deve se limitar aos departamentos fiscais e tributários. Entre as medidas recomendadas estão mapear os fluxos de pagamento, revisar integrações existentes, avaliar a capacidade dos ERPs e sistemas financeiros, estruturar APIs e automatizar processos de conciliação.
O Ministério da Fazenda reconhece que a implementação do split payment representa um desafio operacional significativo, mas destaca que a maturidade tecnológica dos sistemas brasileiros de pagamento e da administração tributária pode favorecer sua implantação. O governo espera que o mecanismo contribua para reduzir fraudes, sonegação e inadimplência.
Para as empresas, especialmente aquelas lideradas por empreendedoras e gestoras, esse momento pode ser uma oportunidade para organizar dados, pagamentos e contabilidade em uma cadeia integrada, tornando a operação mais eficiente e preparada para as próximas fases da Reforma Tributária.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



