Ebola na RDC: surto ultrapassa 5 mil casos e 2,4 mil mortes em 100 dias
Médicos Sem Fronteiras alerta para necessidade de resposta mais rápida e coordenada em comunidades afetadas por conflitos
O surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) está próximo de completar 100 dias desde sua declaração, com mais de 5.000 casos confirmados e mais de 2.400 mortes reportadas até 16 de agosto de 2026, segundo autoridades nacionais. A doença continua a se espalhar rapidamente em comunidades já fragilizadas por conflitos, violência, deslocamento forçado, fome e outras crises de saúde.
Na última semana, a taxa de mortes causadas pelo Ebola foi de aproximadamente uma a cada meia hora. Médicos Sem Fronteiras (MSF) alerta que a resposta precisa ir além da abertura de leitos em centros de tratamento, incluindo a detecção rápida de casos, encaminhamento seguro de pacientes, proteção dos profissionais de saúde e das pessoas que buscam atendimento por outras condições, além de uma atuação construída em parceria com as comunidades afetadas.
Mais de 60% das mortes ocorrem fora dos centros de tratamento
Desde o início do surto, mais de 60% das mortes por Ebola na RDC ocorreram fora dos centros de tratamento, muitas vezes em residências ou comunidades, o que contribui para a propagação do vírus antes da detecção dos casos. O surto tem se expandido para além do epicentro na província de Ituri, com a província de Kivu do Norte apresentando níveis elevados de mortalidade e desconfiança em relação à resposta ao surto.
“Esta epidemia continua se espalhando, avançando mais rápido do que a resposta consegue acompanhar”, afirma Javid Abdelmonein, presidente internacional da MSF. Ele destaca que a estratégia deve incluir detecção precoce, isolamento seguro, acompanhamento dos contatos e envolvimento ativo das comunidades.
Lideranças comunitárias aproximam o atendimento
No acampamento de deslocados de Rho, próximo a Drodro, em Ituri, líderes comunitários colaboram com a MSF para incentivar moradores a reconhecer sintomas, buscar testagem, isolamento e tratamento precoces. O acampamento, que abriga cerca de 50 mil pessoas, é superlotado, e essa parceria tem ajudado a limitar a propagação do Ebola e reduzir a mortalidade.
“Conhecemos nossas comunidades e sabemos como alcançar nossa população”, afirma Ezrome Kiza Lumani, líder comunitário do acampamento. A colaboração também reforça medidas de prevenção e controle de infecções.
Outro líder comunitário, Emery Guba Mateso, que perdeu o filho para a doença e sobreviveu ao Ebola, reforça a importância do atendimento precoce: “Assim que surgirem os primeiros sintomas, é importante procurar atendimento médico imediatamente, porque o acesso precoce ao tratamento adequado aumenta as chances de recuperação”.
MSF mantém seis centros de tratamento e amplia suporte
A MSF atua nas províncias de Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Tshopo e Haut-Uélé, operando seis centros de tratamento e unidades de isolamento com mais de 430 leitos, o que representa cerca de um terço da capacidade total da resposta ao surto. Mais de 1.400 profissionais da organização apoiam a resposta.
Desde o início do surto, as equipes admitiram mais de 1.900 pacientes, dos quais 720 tiveram diagnóstico confirmado de Ebola. A MSF defende que unidades de saúde já existentes também recebam suporte para oferecer atendimento geral e iniciar rapidamente o cuidado de pessoas sintomáticas, aproximando o tratamento das comunidades.
Trish Newport, coordenadora de emergências da MSF na província de Ituri, destaca a necessidade urgente de ampliar o treinamento de profissionais de saúde e líderes comunitários para detecção precoce, encaminhamento seguro, reforço das medidas de prevenção e proteção contra a infecção. Ela ressalta que a Organização Mundial da Saúde, outras agências das Nações Unidas, organizações humanitárias e o Ministério da Saúde da RDC devem intensificar esse apoio.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



