Primeira infância: 47,1% das famílias são monoparentais
Levantamento do Instituto C revela desafios de mães solo na conciliação entre cuidado, trabalho informal e acesso à creche
Discutir a primeira infância envolve também olhar para as condições de quem cuida das crianças. Um levantamento realizado pelo Instituto C com 499 famílias em situação de vulnerabilidade social aponta que, entre as 172 famílias com crianças de até seis anos, 47,1% são monoparentais, ou seja, contam com apenas um adulto responsável pela criação dos filhos.
Esse dado revela um desafio muitas vezes pouco abordado quando o foco está apenas em aspectos como creche, alimentação, saúde e desenvolvimento infantil: as condições de vida dos cuidadores impactam diretamente as oportunidades das crianças.
Interseção entre cuidado, trabalho e renda
Entre as mães de crianças na primeira infância com informação disponível sobre raça ou cor, 76,8% são pretas ou pardas. Além disso, 68,8% das mães registradas como trabalhadoras atuam na informalidade, como autônomas ou freelancers. Embora esse grupo seja menor dentro da amostra e o dado não represente a realidade nacional, ele ilustra situações recorrentes no acompanhamento das famílias pelo Instituto C.
Conciliar o cuidado diário com trabalho e renda é especialmente difícil quando não há uma rede de apoio ou vagas em creches próximas. Nesses casos, a informalidade pode ser uma alternativa mais flexível, porém traz menos segurança financeira e ausência de direitos trabalhistas. Essa sobrecarga está relacionada a desigualdades sociais, raciais e de gênero.
Contexto nacional que reforça o cenário
O levantamento do Instituto C dialoga com dados nacionais. Segundo o Censo 2022, o Brasil possui cerca de 7,8 milhões de famílias formadas por mulheres sem cônjuge e com filhos. Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, indica que metade das mães deixa o mercado de trabalho até dois anos após o nascimento do primeiro filho.
Além disso, as mulheres dedicam, em média, 9,8 horas semanais a mais que os homens ao trabalho doméstico e de cuidado não remunerado. No que diz respeito à educação infantil, apenas 41,7% das crianças brasileiras de zero a três anos frequentavam creche em 2025, segundo a PNAD Contínua Educação do IBGE, percentual abaixo da meta de 50% prevista pelo Plano Nacional de Educação vigente na época.
Importância de políticas públicas integradas
Para Vera Carvalho Oliveira, fundadora do Instituto C, políticas voltadas à primeira infância precisam considerar as condições sociais e econômicas das famílias, dialogando com áreas como assistência social, saúde, educação, trabalho, renda e políticas de cuidado. “Uma criança não se desenvolve de forma dissociada das condições da família em que vive. Quando uma mãe precisa responder sozinha pelo cuidado, enfrenta dificuldade para acessar creche, tem uma inserção precária no mercado de trabalho ou não conta com uma rede de apoio, isso também afeta as oportunidades dessa criança”, destaca.
O tema ganha destaque durante o Agosto Verde, Mês da Primeira Infância, que busca ampliar o debate sobre a proteção e o desenvolvimento integral de crianças de até seis anos. A campanha deste ano tem como mote “Cuidar da primeira infância é cuidar do mundo”.
Entre as iniciativas do Instituto C está a cartilha Desenvolvimento infantil na palma da mão, que oferece 34 dicas sobre brincadeiras, vínculos afetivos, linguagem, sono, alimentação e outros aspectos do cuidado, além de informações sobre serviços da rede socioassistencial de São Paulo. O material é destinado a famílias, cuidadores e profissionais que atuam com crianças.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



