Endometriose: diagnóstico não encerra planos de maternidade
Doença pode afetar a fertilidade, mas acompanhamento médico e planejamento ampliam as possibilidades de gravidez para muitas mulheres
Receber o diagnóstico de endometriose costuma trazer uma dúvida difícil para muitas mulheres: será que ainda será possível engravidar? A resposta não é única, mas o diagnóstico, por si só, não significa o fim dos planos de maternidade. Segundo a Associação Brasileira de Endometriose (SBE), entre 50% e 70% das mulheres com a doença conseguem engravidar espontaneamente ou com apoio médico.
A relação entre endometriose e fertilidade existe, mas varia conforme o estágio da doença, a idade, a anatomia pélvica e a reserva ovariana de cada paciente. Por isso, a avaliação individual é essencial antes de definir qualquer caminho.
Como a endometriose pode dificultar a gravidez
A inflamação crônica provocada pela doença pode afetar a qualidade dos óvulos e alterar a anatomia da pelve. As aderências, que fazem estruturas anatômicas se grudarem, podem obstruir as trompas e dificultar o encontro entre o óvulo e o espermatozoide. A inflamação também pode interferir na implantação do embrião no útero.
Outro ponto de atenção são os endometriomas, cistos ovarianos associados à endometriose. Eles podem comprometer a reserva ovariana e reduzir as chances de uma gravidez espontânea. A própria evolução da doença e cirurgias repetidas também podem afetar essa reserva.
“O grande desafio da endometriose na fertilidade é a inflamação crônica, que pode afetar a qualidade dos óvulos e alterar a anatomia pélvica. Mas isso não significa que o sonho da maternidade acabou. Com cuidado especializado, acompanhamento contínuo e as opções de tratamento que temos hoje, a maioria das mulheres consegue engravidar”, afirma o ginecologista Marcos Tcherniakovsky, especialista em endometriose do Hospital e Maternidade Santa Joana.
Quais opções podem ser consideradas
Em quadros leves, especialmente entre mulheres com menos de 35 anos e trompas preservadas, a concepção natural pode ser a primeira alternativa. Quando há alterações anatômicas importantes, procedimentos como a laparoscopia convencional ou a laparoscopia assistida por robô podem ser indicados para remover focos da doença e restaurar a anatomia pélvica.
Nos casos de endometriose profunda ou obstrução das trompas, a reprodução assistida pode entrar na avaliação. A fertilização in vitro (FIV), por exemplo, apresenta taxas de sucesso de 30% a 50% por ciclo, conforme o material divulgado, mas os resultados dependem do perfil de cada paciente.
Planejamento também faz parte do cuidado
Para mulheres diagnosticadas que desejam adiar a maternidade, o congelamento de óvulos pode ser discutido como estratégia de preservação da fertilidade, especialmente antes de possíveis impactos da evolução da doença ou de intervenções cirúrgicas.
A recomendação central é procurar acompanhamento especializado e conversar sobre as possibilidades com tranquilidade. O diagnóstico exige atenção, mas não precisa ser encarado como uma sentença definitiva sobre a maternidade.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



