HIPEC: cirurgia é decisiva no tratamento do câncer ginecológico

Especialista esclarece o papel da quimioterapia intraperitoneal e a importância da avaliação cirúrgica

Ao receber o diagnóstico de carcinomatose peritoneal ginecológica, muitas pacientes podem acreditar que a quimioterapia intraperitoneal hipertérmica, conhecida como HIPEC, é o elemento mais importante do tratamento. No entanto, o cirurgião geral e oncológico Arnaldo Urbano Ruiz, coordenador do Centro de Doenças Peritoneais da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, alerta que a HIPEC é um complemento e não substitui uma cirurgia bem planejada e executada.

“A HIPEC é a cereja do bolo, um complemento importante, mas não o fator determinante da cura. O que realmente define o prognóstico é a qualidade da cirurgia”, afirma o especialista.

O que é a HIPEC?

A HIPEC consiste na aplicação de quimioterapia diretamente na cavidade abdominal, em temperatura elevada, durante um procedimento cirúrgico. Essa técnica é utilizada no tratamento da carcinomatose peritoneal, condição em que há disseminação de células tumorais pelo peritônio, a membrana que reveste internamente o abdômen.

No contexto da carcinomatose ginecológica primária, a indicação da HIPEC varia conforme o estágio e o tratamento prévio da paciente. A eficácia da HIPEC está comprovada principalmente quando a quimioterapia intravenosa foi administrada antes da cirurgia.

Organização do tratamento

Para pacientes com carcinomatose peritoneal ginecológica, o tratamento preferencial é a cirurgia primária seguida de quimioterapia. Em casos mais avançados, a abordagem pode incluir quimioterapia neoadjuvante intravenosa durante três a seis ciclos, seguida pela cirurgia de intervalo e, então, a HIPEC.

“A evidência de eficácia da HIPEC nesse contexto existe quando a quimioterapia intravenosa já foi administrada previamente. Se isso não aconteceu, a HIPEC não terá o efeito esperado”, explica Ruiz.

Importância da avaliação especializada

O especialista também chama atenção para o encaminhamento inadequado de pacientes para quimioterapia neoadjuvante sem necessidade real. Isso pode ocorrer quando não há um cirurgião especializado em peritônio para avaliar corretamente a extensão da doença, levando à classificação errônea do estágio e à indicação equivocada do tratamento.

Segundo Ruiz, a cirurgia citorredutora exige conhecimento detalhado dos locais onde a doença pode estar presente, inclusive em níveis microscópicos, e do comportamento do fluido peritoneal, que influencia a distribuição das células tumorais.

“O cirurgião precisa saber não apenas onde a doença está, mas também onde esteve e onde pode estar sem ser vista. Sem esse conhecimento, a cirurgia é incompleta, independentemente de ter HIPEC ou não”, destaca.

Devido à escassez de cirurgiões especializados em peritônio no Brasil, o especialista recomenda que pacientes busquem centros de referência para avaliação e tratamento. A escolha do cirurgião e do local da cirurgia pode ser decisiva para o sucesso do tratamento.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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